Christopher Judge, voz de Kratos nos jogos de God of War, criticou a série em desenvolvimento pela Amazon e apontou como um problema recorrente nas adaptações de videogame o fato de estúdios não chamarem profissionais que já trabalharam nas obras originais. A produção será ambientada na era nórdica, seguindo a linha do reboot de 2018 e de Ragnarok.

Durante participação na FanExpo, Judge afirmou que, ao adaptar uma franquia já consolidada, a primeira decisão costuma ser justamente não contratar ninguém ligado ao material original. Ele citou The Last of Us como exemplo e disse que, embora aprecie Pedro Pascal, não entende por que o elenco e os roteiristas do jogo não foram aproveitados em uma adaptação que, em alguns episódios, chega a reproduzir cenas quase quadro a quadro.
Ao comentar diretamente sobre God of War, o ator disse ter ficado surpreso com o fato de a Amazon ter aprovado a série sem trazer nenhum dos roteiristas da franquia para colaborar no roteiro. Segundo ele, essas pessoas passaram cerca de 20 anos imersas naquele universo, o que tornaria sua participação especialmente valiosa no processo criativo.
A série tem Cory Barlog, um dos nomes mais importantes da franquia, como produtor executivo, mas isso não foi suficiente para evitar a crítica de Judge. O ator também não deve interpretar Kratos na adaptação. O papel havia sido entregue a Ryan Hurst, que se machucou durante as filmagens, e a produção teria passado a considerar Dave Bautista como possível substituto.
A fala de Christopher Judge reforça uma discussão que segue muito presente em Hollywood: adaptações de jogos costumam ganhar escala e visibilidade, mas nem sempre aproveitam quem ajudou a construir a identidade dessas histórias. No caso de God of War, a observação pesa ainda mais porque a franquia já provou ter força narrativa suficiente para ir muito além de uma simples transposição de imagem para a TV.

