A entrevista com Bruno Niro, CEO e fundador da Gamers Brawl, aborda o funcionamento da plataforma de competições gamer, que permite aos jogadores disputar premiações com base no desempenho em partidas de Counter-Strike 2 e League of Legends. O executivo também comenta a monetização, a regulamentação, a recepção da comunidade e os planos de expansão da empresa.
Entrevista com Bruno Niro, da Gamers Brawl
Critical Hits: Para quem nunca ouviu falar da Gamers Brawl, do que se trata a plataforma?
Bruno Niro: A Gamers Brawl é uma plataforma de competições de esports. Temos algumas dinâmicas, como campeonatos, ligas e o modelo 1×1, que é o nosso principal formato atualmente. O mais interessante é que o resultado, independentemente da modalidade, depende exclusivamente do desempenho do jogador durante a partida.
Critical Hits: A Gamers Brawl funciona de maneira semelhante a plataformas como FACEIT e Gamers Club?
Bruno Niro: Essas plataformas trabalham principalmente com matchmaking, organizando partidas entre jogadores. A Gamers Brawl tem uma dinâmica diferente.
No modelo 1×1, que é um dos formatos mais populares da plataforma, o jogador vincula sua conta de jogo e pode desafiar um amigo ou entrar em uma fila para encontrar um adversário com nível de habilidade semelhante.
Por exemplo, se você tem 12 mil pontos no modo Premier de Counter-Strike 2, o sistema procura jogadores com pontuação próxima, como aqueles que têm entre 10 mil e 15 mil pontos.
Depois que os dois jogadores aceitam o desafio, cada um disputa sua própria partida. Eles não precisam entrar em uma sala para jogar diretamente um contra o outro.
O resultado é definido por um sistema de pontuação que considera métricas como eliminações, assistências, desarmes, instalação da C4, vitórias por round e resultado da partida. Quem acumula mais pontos vence a disputa.
O grande diferencial é que o jogador não precisa abandonar sua experiência habitual de jogo para competir. Ele pode continuar jogando uma partida ranqueada e, ao mesmo tempo, disputar um desafio na Gamers Brawl.
A ideia é unir entretenimento e competição, permitindo que os jogadores tenham a oportunidade de monetizar suas habilidades sem precisar mudar a maneira como costumam jogar.
Critical Hits: Como funciona a monetização das partidas na plataforma?
Bruno Niro: No modelo 1×1, os jogadores encontram um adversário e escolhem o valor da disputa. Cada um contribui com uma quantia, que pode começar em R$ 5.
Se cada jogador colocar R$ 5, por exemplo, o valor total será de R$ 10. O vencedor recebe entre 80% e 85% desse montante, dependendo da modalidade, enquanto a plataforma fica com a parcela restante.
Depois, o jogador pode solicitar o saque do dinheiro acumulado. Temos dois tipos de usuários: o comum e o Trusted. Os usuários Trusted podem solicitar saques que chegam à conta em até cinco minutos, enquanto os saques dos usuários comuns podem levar até dois dias úteis.
Critical Hits: Como tem sido a recepção dos jogadores a esse modelo de competição com dinheiro envolvido?
Bruno Niro: No começo, as pessoas tinham dificuldade para entender a proposta, porque estavam acostumadas ao modelo tradicional, no qual é necessário participar de desafios específicos ou campeonatos que podem durar várias horas.
Com o tempo, a comunidade passou a compreender melhor a dinâmica. A recepção tem sido muito positiva, e boa parte das melhorias que implementamos, inclusive mudanças na identidade visual, veio de sugestões dos próprios usuários.
Um exemplo é o League of Legends, que foi o primeiro jogo que colocamos na plataforma. Recebemos muitos comentários sobre o equilíbrio da pontuação entre as diferentes funções, como suporte, caçador, atirador e outras posições.
A comunidade nos ajuda a ajustar essas métricas para que os jogadores não sejam prejudicados por exercerem funções diferentes dentro do jogo.
Também fazemos questão de deixar claro que a Gamers Brawl não deve ser vista como uma segunda fonte de renda garantida. Não é uma proposta de colocar R$ 100 esperando ganhar R$ 1 milhão. É uma competição que acrescenta uma camada de emoção à experiência de jogar.
Por isso, o valor inicial de disputa é de R$ 5, permitindo que as pessoas experimentem a plataforma com uma quantia menor.
Temos, inclusive, o Gordox como um dos nossos embaixadores. Ele já participou de disputas de League of Legends e Counter-Strike 2 na plataforma. Em uma ocasião, chegou a vencer o Kami em uma disputa de LoL, o que levou a uma revanche entre eles.
Critical Hits: Quantos usuários ativos mensais a Gamers Brawl tem atualmente?
Bruno Niro: Hoje, temos pouco mais de 35 mil usuários na plataforma. Não quero informar um número incorreto de usuários ativos mensais, então preciso confirmar esse dado exato com a equipe antes de divulgá-lo.
Critical Hits: A empresa teve algum problema regulatório por causa das restrições às apostas no Brasil?
Bruno Niro: Desde o início, estávamos atentos à regulamentação e à necessidade de diferenciar nosso modelo de negócio das apostas tradicionais.
A regulamentação das apostas de quota fixa trata de um modelo diferente daquele utilizado pela Gamers Brawl. Nos cassinos e em outras plataformas de apostas, o resultado pode depender de eventos aleatórios ou de acontecimentos sobre os quais o usuário não tem controle.
Na Gamers Brawl, o resultado depende do desempenho dos jogadores nas disputas, nos campeonatos e nas ligas. Não trabalhamos com sorte ou azar como fatores determinantes do resultado.
Podemos fazer uma comparação com o cenário competitivo profissional. Organizações como FURIA e Team Liquid participam de campeonatos, arcam com custos de inscrição e de jogadores e competem por premiações. A Gamers Brawl segue uma lógica de competição baseada em habilidade e desempenho.
Critical Hits: Além do modelo 1×1, vocês organizam campeonatos e eventos para a comunidade?
Bruno Niro: Sim. Temos campeonatos dentro da plataforma, incluindo o Champions Brawl, nosso principal torneio atualmente, com premiação de R$ 3 mil.
A competição é destinada aos dez melhores jogadores do ranking. Não basta pagar uma inscrição para participar: é necessário alcançar uma posição que permita a entrada no campeonato.
Também realizamos ligas voltadas à comunidade e a influenciadores, como as ligas do Gordox, do Kami e do Dinquedo. A ideia é retomar essas iniciativas e continuar desenvolvendo formatos que aproximem os jogadores da plataforma.
Critical Hits: Quais são os próximos passos da Gamers Brawl?
Bruno Niro: Atualmente, temos dois jogos na plataforma: League of Legends e Counter-Strike 2. Nosso objetivo é adicionar mais dez títulos até meados do próximo ano, incluindo jogos de futebol, luta e outros FPS.
Queremos alcançar uma parcela maior da comunidade gamer, oferecendo competições para diferentes públicos e gêneros de jogos.
Além disso, pretendemos implementar novos formatos de campeonato e iniciar uma expansão internacional no próximo ano. A Gamers Brawl nasceu no Brasil, mas foi pensada para se tornar uma plataforma global.
O mercado gamer está presente no mundo inteiro, e nossa ambição é levar a plataforma para outros países.

