A Anthropic alterou o Claude Code para impedir que a ferramenta recrie jogos específicos já existentes. A mudança tenta responder à preocupação de desenvolvedores e estúdios independentes, que temem ver seus projetos copiados com auxílio de inteligência artificial, inclusive antes do lançamento.

A nova orientação foi identificada por volta de 27 de outubro pelo usuário do X conhecido como Chasm, antes de qualquer anúncio público da empresa. As instruções determinam que o Claude Code não deve construir uma recriação de um jogo específico, mesmo quando o pedido tenta apresentar o projeto com outro nome ou como uma criação original. Também não há uma opção para desativar essa restrição.
A Anthropic confirmou a alteração em 30 de outubro por meio de Addy Osmani, integrante da equipe técnica da companhia. A regra foi adicionada ao Claude Code quando utilizado com o modelo Opus 5.5 e consiste em duas frases incluídas nas instruções da ferramenta.
Osmani explicou que o objetivo é evitar o uso do Claude para infringir propriedade intelectual, algo que contraria a política de utilização da Anthropic. Segundo ele, a limitação não deve afetar jogos originais, projetos baseados em um gênero específico ou criações desenvolvidas a partir dos designs e recursos fornecidos pelo próprio usuário.
A empresa afirmou que continuará ajustando o sistema para encontrar um equilíbrio entre proteção de propriedade intelectual e liberdade criativa. Usuários que tiverem projetos próprios bloqueados por engano poderão entrar em contato para relatar o problema.
Desenvolvedores temem a proliferação de clones
A decisão acontece após estúdios independentes adotarem medidas para proteger seus jogos. A Alliance Arts, por exemplo, cancelou a demonstração pública de Drunken Goddess Reflux, que seria realizada em 19 de outubro. Em vez disso, o estúdio optou por sessões fechadas de testes, preocupado com a possibilidade de o conteúdo ser usado para imitar a apresentação e a jogabilidade do projeto com ferramentas de IA.
O cenário também acompanha o aumento de jogos produzidos com inteligência artificial na Steam. Desenvolvedores vêm pressionando a Valve por explicações sobre como a plataforma pretende impedir a disseminação de clones e projetos que possam reproduzir trabalhos já existentes.
Ainda não está claro como a regra funcionará em todos os casos. O Claude não consegue verificar se a pessoa que faz o pedido é realmente proprietária do jogo envolvido, e a instrução também não define com precisão o que caracteriza uma recriação. Além disso, modelos de código aberto executados localmente não estão sujeitos às mesmas limitações.
A medida da Anthropic representa uma tentativa relevante de conter cópias diretas, mas não resolve sozinha o problema. Sem mecanismos capazes de verificar autoria e diferenciar inspiração de reprodução, a proteção de jogos continuará dependendo de uma combinação de políticas das empresas, análise das plataformas e responsabilidade dos próprios usuários.

