A AMD anunciou que vai restabelecer a criptografia de memória, conhecida como Transparent Secure Memory Encryption (TSME), em seus processadores Ryzen para consumidores após repercussão negativa dos usuários. A funcionalidade, considerada importante para proteção contra ataques físicos, havia sido removida silenciosamente em uma atualização recente de firmware, provocando reclamações e pedidos de reversão pela comunidade.
Criptografia de memória volta aos Ryzen com atualização em julho
Há cerca de uma década, a AMD incluiu o recurso TSME inicialmente em suas CPUs de alto desempenho, expandindo seu suporte posteriormente para modelos mais acessíveis, incluindo a linha Ryzen. A tecnologia encripta todo o conteúdo armazenado na memória física, prevenindo ataques de acesso direto, como cold boot, em que invasores tentam obter dados após ganhar acesso físico ao dispositivo.

Na última atualização de firmware, o suporte a TSME para a série Ryzen 9000 não-Pro foi removido sem aviso, e a desativação só pôde ser confirmada com ferramentas avançadas no Linux, sendo invisível no Windows. A empresa não forneceu explicações oficiais sobre a decisão, gerando especulações sobre possíveis motivações, como direcionar consumidores para CPUs mais caras ou otimizar desempenho, já que a criptografia acarreta certo impacto de latência que poderia afetar jogos, público importante para a linha Ryzen 9000.
Seguindo as críticas imediatas nas redes sociais, AMD comunicou que vai reabilitar a opção de ativar o Memory Guard – nome comercial da tecnologia TSME – em uma nova atualização de BIOS prevista para julho de 2026. A empresa declarou que a decisão foi influenciada pelos “valiosos feedbacks da comunidade”.
A transparência no processo, no entanto, ainda deixa a desejar. A AMD não comentou os motivos oficiais da remoção e não respondeu às perguntas enviadas para esta reportagem. A falta de comunicação clara reflete uma tendência crescente de grandes empresas de tecnologia evitarem prestar contas diretamente quando realizam mudanças que impactam consumidores.
Apesar da possibilidade de que o desempenho tenha sido um fator para a desativação temporária, a comunidade destaca que a ausência do recurso representou uma quebra de confiança, já que a criptografia esteve disponível durante anos e era de escolha do usuário mantê-la ativa ou não. A restauração do TSME, embora tardia, demonstra a relevância da pressão dos consumidores na manutenção de recursos de segurança essenciais mesmo em CPUs voltadas ao público geral.

