007 First Light tem uma regra simples e implacável: Bond não atira em homem desarmado. O sistema chamado License to Kill, confirmado pelo designer de combate sênior Tom Marcham em entrevista recente, é o mecanismo central que define quando e como o protagonista pode sacar sua arma, e a lógica por trás dele vem diretamente do estudo aprofundado da franquia pela IO Interactive.
“A primeira coisa que fazemos é assistir muito Bond. Quero dizer tudo: os livros, os jogos, os filmes”, explicou Marcham. “Isso define o conjunto de regras que impomos a nós mesmos.” O resultado é um sistema onde guardas inocentes podem ser nocauteados silenciosamente, mas não baleados. Inimigos comuns só se tornam alvos legítimos no momento em que sacam uma arma com intenção de matar. Quando isso acontece, o indicador de License to Kill acende no topo da tela e Bond está livre para agir.
Como o sistema transforma o combate na prática

A IO Interactive chama os espaços onde o conflito pode escalar gradualmente de “dynamic escalation spaces”. Uma infiltração começa em stealth, pode evoluir para briga corporal e, no momento em que um inimigo frustrando saca uma arma, transforma-se automaticamente em tiroteio. “O momento em que a arma está na mão deles, eles estão mostrando clara intenção de matar: License to Kill. É isso”, resumiu Marcham.
Se uma área já tem guardas patrulhando com fuzis em mãos, Bond entra naquele espaço com o License to Kill ativo desde o início. O sistema também aparece em situações narrativas: numa sequência em que Bond persegue um assassino pelos telhados de Londres, o License to Kill permanece ativo mesmo que, por razões de roteiro, ele não possa eliminar o alvo.
O designer faz questão de diferenciar a abordagem de 007 First Light do Hitman, franquia que a IO Interactive também desenvolve. “Se você imaginar uma run de Silent Assassin no Hitman, é um filme de Bond terrível. Ninguém assistiria. O cara entra, não é visto por ninguém, troca de roupa 20 vezes, atira na cabeça de um cara e sai. Não é um bom filme de Bond.”
Para quem está esperando um jogo de espionagem que capture o ritmo dos filmes clássicos da franquia, 007 First Light parece estar no caminho certo. A decisão de tratar a violência com peso narrativo e condicionar o uso de armas ao comportamento dos inimigos é exatamente o tipo de escolha de design que separa uma adaptação licenciada preguiçosa de algo que realmente entende o material de origem.
Fonte: Gamesradar+


