Quando a Netflix decidiu encerrar Altered Carbon após duas temporadas, muitos fãs do subgênero cyberpunk ficaram com a sensação de que uma franquia promissora havia sido interrompida cedo demais. A adaptação do romance de Richard K. Morgan havia encontrado um equilíbrio raro entre estética futurista ambiciosa e questionamentos profundos sobre identidade, poder e desigualdade.
Embora a Apple TV+ venha se destacando como uma das plataformas mais consistentes em ficção científica, seu catálogo ainda não mergulhou completamente no cyberpunk clássico. Isso deve mudar com a futura adaptação de Neuromancer, de William Gibson. Até lá, porém, existe uma produção da casa que, mesmo sem a estética neon típica do gênero, dialoga fortemente com os mesmos temas que tornaram Altered Carbon tão marcante.
O legado de Altered Carbon na televisão

Produzir cyberpunk para a televisão nunca foi tarefa simples. O subgênero exige cidades verticais, tecnologia invasiva e ambientes saturados de efeitos visuais. Ainda assim, Altered Carbon conseguiu entregar uma ambientação convincente, especialmente em sua primeira temporada, ao retratar uma sociedade em que a consciência humana pode ser armazenada em dispositivos chamados “stacks” e transferida entre corpos, processo conhecido como “sleeving”.
Essa premissa permitiu à série explorar a essência do cyberpunk, resumida na ideia de alta tecnologia convivendo com vidas degradadas. A elite, apelidada de Meths, alcança uma forma de imortalidade ao trocar de corpos indefinidamente, enquanto a população comum enfrenta longas esperas e condições precárias para ter acesso a novos corpos. O contraste social se torna o verdadeiro motor dramático da narrativa.
Como Severance ocupa esse espaço temático

Embora visualmente mais contida e com traços retrofuturistas, Severance compartilha inquietações semelhantes. Em vez de corpos intercambiáveis, a tecnologia central aqui é um chip implantado no cérebro que separa as memórias profissionais das pessoais. O resultado é uma divisão radical da identidade, criando duas versões da mesma pessoa, cada uma consciente apenas de uma parte da própria existência.
Assim como em Altered Carbon, a inovação tecnológica não surge como libertadora, mas como ferramenta de controle. Na série da Apple TV+, executivos utilizam o procedimento para administrar traumas e maximizar produtividade, enquanto funcionários da misteriosa empresa Lumon vivem ciclos intermináveis de trabalho, sem acesso à própria vida fora do escritório. A tecnologia, novamente, aprofunda desigualdades e questiona o valor da individualidade.
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