Peter Jackson vê IA como ferramenta, não ameaça, e lamenta que o debate prejudique Andy Serkis nas premiações

Um dia após receber a Palma de Ouro honorária no Festival de Cannes, Peter Jackson foi ao palco de uma masterclass e entrou de cabeça no debate que domina a edição deste ano do festival: o uso de inteligência artificial no cinema. Para o diretor de O Senhor dos Anéis, a discussão está sendo conduzida de forma equivocada, e as consequências dessa confusão já estão afetando artistas reais.

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A posição de Jackson é clara e direta: a IA não o preocupa como ferramenta criativa. “Para mim, é apenas um efeito especial. Não é diferente de outros efeitos especiais”, afirmou. Na sua visão, assim como qualquer outra tecnologia usada nas filmagens, o que vai determinar a qualidade do resultado é a imaginação e a originalidade de quem a utiliza, e não a ferramenta em si (via Variety).

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O ponto onde Jackson traça a linha é o uso não autorizado da imagem de atores. Para ele, recriar digitalmente um personagem ou performer é aceitável desde que haja contrato e compensação justa. “Se você está fazendo uma duplicata por IA de alguém, como Indiana Jones ou qualquer outro, desde que os direitos tenham sido licenciados pela pessoa retratada, eu não vejo problema. A questão é quando a imagem das pessoas é roubada e usada indevidamente”, disse.

Mas o aspecto mais contundente da fala de Jackson foi sobre Andy Serkis e Gollum. Segundo o diretor, o clima de desconfiança em torno de personagens gerados digitalmente contaminou a percepção sobre performances de captura de movimento, tornando praticamente impossível que um trabalho como o de Serkis seja reconhecido com um Oscar ou qualquer outro prêmio importante. “O que é um pouco injusto, especialmente no caso do Andy, em que não se trata de uma atuação gerada por IA, mas de uma performance humana do começo ao fim”, argumentou.

Jackson também aproveitou a ocasião para detalhar sua decisão de não dirigir O Senhor dos Anéis: A Caçada por Gollum, novo filme da franquia previsto para chegar aos cinemas em 17 de dezembro de 2027. O projeto ficará nas mãos do próprio Serkis, que além de dirigir também estará no papel de Gollum. “O filme é sobre a psicologia e o vício de Gollum. Pensei: Andy conhece esse personagem melhor do que qualquer outra pessoa. A versão mais empolgante desse filme é a feita por Andy Serkis”, explicou Jackson, que atuará como produtor ao lado de Fran Walsh e Philippa Boyens.

Na cerimônia de abertura do festival, foi Elijah Wood quem entregou a Palma honorária ao diretor. “Você mostrou ao mundo algo que ninguém tinha visto antes, e nada nunca mais foi o mesmo”, disse o ator, que imortalizou Frodo Bolseiro na trilogia original.

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João Victor Albuquerque
João Victor Albuquerque
Apaixonado por joguinhos, filmes, animes e séries, mas sempre atrasado com todos eles. Escrevo principalmente sobre animes e tenho a tendência de tentar encaixar Hunter x Hunter ou One Piece em qualquer conversa.