Durante anos, Dexter ocupou lugar de destaque entre os dramas televisivos centrados em anti-heróis. A trajetória do serial killer que escolhia suas vítimas segundo um código moral dividiu opiniões ao longo do tempo. Houve o período de consagração, quando a produção era frequentemente citada ao lado de séries prestigiadas, e houve também a fase de desgaste, especialmente após a quarta temporada, quando a qualidade passou a ser questionada.
Mesmo com tentativas posteriores de revitalizar a marca, o legado da série permaneceu irregular. Para quem busca uma narrativa com premissa semelhante, mas desenvolvimento mais consistente, a HBO apresentou uma alternativa que conquistou público e crítica sem enfrentar oscilações bruscas: Barry.
Um assassino em busca de propósito

Criada e protagonizada por Bill Hader, conhecido inicialmente pelo trabalho no Saturday Night Live, Barry marcou uma virada na carreira do ator. Na série, ele interpreta Barry Berkman, ex-fuzileiro naval que passa a atuar como matador de aluguel, vivendo uma rotina marcada por apatia e vazio existencial.
A mudança começa quando seu intermediário, Monroe Fuches, vivido por Stephen Root, o envia a Los Angeles para eliminar um aspirante a ator. Ao seguir o alvo até uma aula de interpretação, Barry se vê inesperadamente atraído pelo universo artístico. Surge então o conflito central: conciliar a violência profissional com o desejo de construir uma nova identidade nos palcos.
Essa dualidade conduz a narrativa por caminhos que alternam tensão e absurdo. Enquanto tenta manter separadas as duas vidas, o protagonista se envolve com colegas de classe e mergulha em situações que misturam constrangimento, brutalidade e reflexão moral.
Paralelos inevitáveis com Dexter

A comparação entre as duas séries é quase automática. Ambas acompanham homens profundamente perturbados que acreditam ser possível compartimentar impulsos violentos e preservar algum tipo de normalidade. Em cada caso, a tentativa de controle revela-se frágil, colocando em risco as relações pessoais construídas ao longo da trama.
Apesar da base semelhante, o tom diferencia as produções. Dexter adotava humor sombrio pontual, mas mantinha estrutura de drama criminal tradicional. Já Barry amplia o elemento cômico de forma mais ousada, explorando situações que beiram o surreal. A violência convive com momentos de humor físico e diálogos desconcertantes, criando uma experiência que alterna desconforto e riso em poucos minutos.
Essa variação tonal não enfraquece o impacto dramático. Pelo contrário, intensifica cada reviravolta. Ao deslocar o espectador entre extremos emocionais, a série constrói um retrato mais imprevisível do colapso gradual de seu protagonista.
Um final à altura da jornada

Um dos pontos mais debatidos na trajetória de Dexter foi seu desfecho. Após temporadas consideradas irregulares, o encerramento não conseguiu recuperar a força inicial e se tornou alvo de críticas. A sensação de queda progressiva comprometeu a percepção geral da obra.
Barry, por sua vez, estruturou sua narrativa ao longo de quatro temporadas com objetivo claro. O arco principal se desenvolve sem prolongamentos artificiais, e o episódio final amarra as tramas de maneira coerente com o tom estabelecido desde o início. Humor ácido, violência e desconforto permanecem presentes até os momentos derradeiros.
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