Lupin se aproxima de roubo real que chocou o Louvre

O roubo de joias ocorrido no Louvre em outubro de 2025 foi imediatamente comparado a Lupin, série da Netflix estrelada por Omar Sy. O crime aconteceu em plena luz do dia, durou cerca de sete minutos e reproduziu elementos muito parecidos com o golpe apresentado no início da produção.

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Os criminosos chegaram ao museu em Paris usando um caminhão equipado com plataforma elevatória. Vestidos como operários, alcançaram uma janela da fachada, quebraram o vidro e arrombaram vitrines que guardavam peças da Coroa francesa. Na fuga, deixaram o local em scooters antes que a polícia conseguisse isolar completamente a área.

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O crime que expôs a segurança do Louvre

O assalto aconteceu em 19 de outubro de 2025 e resultou no roubo de oito peças avaliadas em aproximadamente US$ 100 milhões. Entre os itens estavam um colar de esmeraldas e diamantes dado por Napoleão à imperatriz Maria Luísa, joias associadas às rainhas Maria Amélia e Hortênsia, um broche e o diadema de pérolas e diamantes da imperatriz Eugênia.

Uma das peças mais valiosas, a coroa de Eugênia, caiu durante a fuga e foi encontrada do lado de fora do museu. Apesar de danificada, ela pôde ser recuperada. Emmanuel Macron classificou o caso como um ataque à história da França, enquanto Laurence des Cars, diretora do Louvre, reconheceu a existência de uma falha grave no sistema de segurança.

Vitrine e joias históricas do Louvre

As semelhanças com Assane Diop

A comparação com Lupin ganhou força porque a série começa justamente com um roubo de joias no Louvre. Na trama, Assane Diop é filho de um imigrante senegalês e cresceu lendo as histórias de Arsène Lupin, personagem criado por Maurice Leblanc em 1905.

O protagonista invade o museu para tentar recuperar o Colar da Rainha, uma joia ligada à acusação que levou seu pai à prisão e, posteriormente, à morte. Para preparar o golpe, Assane trabalha temporariamente como faxineiro e observa a rotina do local. No dia do leilão, ele retorna disfarçado de colecionador milionário usando o nome Paul Sernine, um anagrama de Arsène Lupin.

O paralelo mais evidente está no uso de disfarces. Assane se aproveita do uniforme de funcionário para circular sem chamar atenção, enquanto os ladrões reais usaram roupas de operários. Em ambos os casos, a estratégia parte da ideia de que pessoas vistas como trabalhadores comuns acabam sendo ignoradas.

Omar Sy como Assane Diop em Lupin

Ficção elegante, crime violento

Apesar das semelhanças, os métodos são bastante diferentes. Assane costuma elaborar planos complexos, criar distrações e trocar de identidade para evitar confrontos diretos. Já o assalto real envolveu uma serra de disco, vitrines destruídas e uma fuga rápida, deixando uma das joias mais importantes caída na rua.

Os quatro principais suspeitos foram presos em menos de dez dias. Um deles foi detido no aeroporto Charles de Gaulle, com uma passagem só de ida para a Argélia, depois que seu DNA foi encontrado na scooter usada durante a fuga. Existe ainda o temor de que as joias tenham sido desmontadas e que os diamantes sejam vendidos separadamente, o que poderia apagar a identidade histórica das peças.

A coincidência com a quarta temporada

A ligação entre a série e o caso ficou ainda mais curiosa porque a quarta temporada de Lupin chegou à Netflix em 23 de outubro de 2026, quatro dias depois do aniversário de um ano do roubo. A nova história acompanha um imitador que assalta museus em nome de Assane, obrigando o personagem a voltar à ação para provar sua inocência.

A temporada foi gravada em Paris entre maio e setembro de 2025, antes do crime real. A coincidência fez a trama parecer uma antecipação do que aconteceria no Louvre, embora não exista confirmação de que os criminosos tenham se inspirado na produção.

Omar Sy contou que recebeu várias ligações e mensagens de pessoas perguntando, em tom de brincadeira, se ele havia roubado as joias. Depois do riso inicial, o ator afirmou ter se questionado sobre a responsabilidade da série ao romantizar ladrões tão carismáticos. Essa diferença entre o charme de Assane e a destruição provocada pelo crime real é justamente o que torna a comparação tão incômoda.

Com oito episódios, a quarta temporada mostra que a coincidência não foi criada pela Netflix, mas acabou dando à história um peso inesperado. A realidade imitou apenas alguns elementos da ficção; no Louvre, porém, não havia plano elegante nem final controlado, apenas um ataque que expôs a fragilidade da segurança de um dos museus mais importantes do mundo.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.