A Globo retirou do ar um comercial criado com inteligência artificial que usava imagens de Tom Cruise, Zendaya e Margot Robbie ao lado de Marcos Mion, Luciano Huck e Ana Maria Braga. A peça foi exibida na televisão na quarta-feira (2) e também chegou às redes sociais da emissora, mas acabou removida poucas horas depois após uma forte reação negativa do público.
Essa que é a segunda emissora mais rica do país usando ia em comercial de filme kkkkkkkkk a globo morreu pic.twitter.com/M8ec6ftSHN
— alef (@margotismo) September 3, 2026
O problema central está no uso das imagens das estrelas de Hollywood. A campanha não tinha autorização conhecida dos atores estrangeiros envolvidos e provocou a reação do departamento jurídico da emissora. Até o momento, a Globo não foi processada, mas recebeu uma notificação extrajudicial de um estúdio de Hollywood, cuja identidade ainda não foi divulgada publicamente.
A repercussão aumentou depois que o vídeo passou a circular nas redes sociais. Usuários criticaram o resultado visual e questionaram a decisão de utilizar inteligência artificial para colocar celebridades internacionais em uma publicidade sem autorização aparente. Diante da reação, o material deixou de estar disponível nos perfis oficiais e nas plataformas digitais da Globo.
O episódio acontece em um período de mudanças internas na emissora. Manuel Belmar, ex-diretor de Finanças e Estrutura, iniciou um processo de transição que deve ser concluído no primeiro trimestre de 2027. Manuel Falcão também deixará a diretoria de Marca e Comunicação Institucional, enquanto Pedro Garcia não seguirá à frente da diretoria de Direitos Esportivos.
Amauri Soares passou a comandar a integração dos conteúdos de TV e dos Estúdios Globo, com influência ampliada sobre projetos destinados à televisão aberta e ao streaming. Julia Reuff deixou o comando direto do Globoplay para liderar a área de Plataformas Digitais, e Marina Mansur assumiu o setor de Estratégia, que também incorporou funções de governança corporativa.
A retirada rápida do comercial mostra que o uso de inteligência artificial em publicidade ainda envolve riscos jurídicos importantes, especialmente quando reproduz a aparência de pessoas famosas. Para a Globo, o caso expõe uma falha de avaliação que poderia ter sido evitada antes da veiculação da campanha.

