A Paramount Skydance concordou em não concluir sua fusão com a Warner Bros. Discovery até que um julgamento sobre o caso seja realizado, ou até 1º de junho de 2027, o que ocorrer primeiro. O acordo, firmado em um documento apresentado à Justiça americana nesta sexta-feira (24), representa um recuo da empresa diante da ação movida por uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais, liderada pela Califórnia, que busca barrar a operação avaliada em US$ 110 bilhões.
A decisão chega depois que a juíza federal Araceli Martínez-Olguín, de Oakland, já havia concedido uma liminar temporária suspendendo a fusão por 28 dias, com validade até 17 de agosto, enquanto aguardava uma audiência para decidir sobre uma pausa mais longa. Diante do risco de perder esse round no tribunal, a Paramount optou por negociar diretamente com os estados um caminho direto para um julgamento de mérito, cancelando a audiência que estava marcada para 3 de agosto.

Os procuradores estaduais argumentam que a união das duas empresas reduziria a concorrência nos mercados de distribuição de filmes em grande escala e de canais de TV a cabo. O Writers Guild of America, sindicato dos roteiristas americanos, também havia movido uma ação própria alegando prejuízo à concorrência por serviços de roteiristas, mas retirou o pedido de liminar após o novo acordo, já que a Paramount efetivamente concordou em não fechar o negócio até a resolução do mérito das alegações antitruste.
O adiamento deve gerar custos adicionais para a Paramount. A partir de 30 de setembro, a empresa passa a dever uma taxa de atraso de US$ 7 milhões por dia aos acionistas da Warner Bros. Discovery, equivalente a cerca de US$ 650 milhões por trimestre, podendo somar até US$ 1,7 bilhão caso o impasse se estenda até junho de 2027. Caso a fusão seja definitivamente abandonada, a multa de rescisão prevista é de US$ 7 bilhões.

A operação já havia recebido aprovação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e, na semana anterior ao acordo, também da Comissão Europeia, que condicionou seu aval à concessão da Paramount, incluindo a saída de um consórcio de distribuição de filmes mantido com a Universal no mercado europeu.
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