O filme live-action de Death Stranding será gravado na Islândia, uma decisão que aproxima a adaptação da identidade visual criada por Hideo Kojima no jogo de 2019. Produzido pela A24, o longa terá roteiro e direção de Michael Sarnoski, conhecido por The Death of Robin Hood.
Apesar de a história do game se passar em uma versão devastada dos Estados Unidos, seus cenários sempre remeteram mais às paisagens islandesas do que ao território norte-americano. Penhascos rochosos cobertos de musgo, grandes cachoeiras e praias de areia escura ajudam a construir o mundo marcado pelo isolamento e por fenômenos sobrenaturais.
A própria ambientação de Death Stranding explica essa transformação geográfica. Os Voidouts, explosões de antimatéria provocadas pela morte de humanos pelas criaturas conhecidas como BTs, destruíram grandes áreas do planeta. Já a chuva chamada Timefall envelhece rapidamente tudo o que toca. Em poucas décadas, esses eventos alteraram a paisagem em uma escala que normalmente levaria milhares de anos.
A escolha da Islândia também atende a um desejo antigo dos fãs, que identificaram a influência do país no visual do jogo. Hideo Kojima chegou a registrar uma viagem à região em 2014, pouco antes do início do desenvolvimento de Death Stranding. Com as filmagens no local, a produção evita depender exclusivamente de cenários digitais para reproduzir o ambiente da franquia.
O longa ainda pode ter impacto além da adaptação. A Islândia já serviu de cenário para produções como Die Another Day, Batman Begins, Thor: O Mundo Sombrio, Star Trek: Além da Escuridão, Star Wars: O Despertar da Força e Velozes e Furiosos 8, mas raramente ocupou uma posição central nesses filmes. Caso Death Stranding encontre seu público, o país pode ganhar mais espaço como destino para grandes produções, de forma semelhante ao que aconteceu com a Nova Zelândia após O Senhor dos Anéis.
Levar Death Stranding ao cinema continua sendo um risco considerável. O jogo combina longos períodos de exploração, temas metafísicos, imagens perturbadoras e uma mitologia complexa, elementos que não têm o mesmo apelo de adaptações mais populares, como Super Mario Bros. ou Minecraft. Por outro lado, a abordagem da A24 sugere espaço para uma versão mais autoral e experimental. A filmagem na Islândia é, até agora, o sinal mais concreto de que a adaptação pretende preservar a atmosfera incomum que tornou a obra de Kojima tão distinta.


