Em meio ao vasto catálogo de suspense disponível no streaming, algumas produções acabam passando despercebidas pelo grande público. É o caso de Gêmeas: Mórbida Semelhança, adaptação televisiva que revisita uma das histórias mais perturbadoras do cinema psicológico e a reinventa para uma nova geração.
A série parte do universo criado no romance Twins, de 1977, escrito por Bari Wood e Jack Geasland, mas também dialoga diretamente com o longa-metragem lançado em 1988 por David Cronenberg. Ainda assim, a produção do Prime Video encontra identidade própria, apostando em uma abordagem contemporânea, provocativa e esteticamente sofisticada.
Uma relação tão íntima quanto destrutiva

No centro da narrativa estão Beverly e Elliot Mantle, gêmeas idênticas que atuam como ginecologistas e compartilham uma ligação quase simbiótica. Ambas são interpretadas por Rachel Weisz, que assume o desafio de dar vida a duas personalidades distintas presas em uma dinâmica profundamente tóxica.
As irmãs alternam identidades em compromissos sociais e relacionamentos amorosos, manipulando as pessoas ao redor com naturalidade inquietante. No entanto, a linha que separa o controle da autodestruição começa a desaparecer quando questões profissionais se misturam com desejos pessoais. O que antes parecia um jogo privado passa a ameaçar a estabilidade emocional e ética das duas, conduzindo a trama por um caminho cada vez mais sombrio.
O que diferencia a série da versão cinematográfica

A mudança mais evidente em relação ao filme de 1988 está na escolha de transformar os protagonistas em mulheres. No longa original, os papéis foram interpretados por Jeremy Irons. Ao reposicionar as personagens como médicas ginecologistas, a série adiciona camadas inéditas à discussão sobre corpo, poder e autonomia feminina.
Outro ponto de ruptura está no desfecho. A adaptação televisiva opta por um encerramento que se afasta significativamente do filme, oferecendo uma virada final que surpreende até mesmo quem conhece a história anterior. A violência gráfica é menos explícita do que na obra de Cronenberg, mas o desconforto psicológico atinge níveis ainda mais perturbadores, sustentado por um clima constante de tensão e ambiguidade moral.
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