Produções sobre assassinos em série e perfis criminais se tornaram comuns na televisão. Ao longo das últimas décadas, o gênero consolidou uma fórmula conhecida, na qual especialistas brilhantes decifram mentes perturbadas com precisão quase científica. A Netflix, no entanto, decidiu seguir por um caminho diferente ao lançar Mindhunter.
Inspirada no livro-reportagem Mindhunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit, a série estreou em 2017 e teve duas temporadas. Com produção de David Fincher, conhecido por Zodiac, e roteiro sob responsabilidade de Liz Hannah, a trama acompanha dois agentes do FBI que passam a entrevistar criminosos notórios na tentativa de compreender os padrões por trás de assassinatos em série. O objetivo é estruturar uma metodologia que daria origem à unidade de psicologia criminal da agência.
Uma abordagem que desmonta clichês

À primeira vista, a premissa pode remeter a produções como Criminal Minds, nas quais perfis psicológicos são apresentados como ferramentas infalíveis. No entanto, a proposta aqui é mais inquietante. Em vez de tratar a psicologia criminal como ciência consolidada, a narrativa mostra o processo de construção dessa área, repleto de incertezas e equívocos.
Durante décadas, o cinema e a televisão retrataram especialistas capazes de explicar o comportamento de assassinos com discursos seguros e conclusivos. Um exemplo clássico está em Psycho, cujo desfecho oferece uma explicação detalhada para as motivações do vilão. Mindhunter segue na direção oposta. Seus protagonistas avançam por tentativa e erro, frequentemente questionando as próprias teorias enquanto lidam com casos que desafiam qualquer lógica simplista.
Ambiguidade como força narrativa

A atmosfera densa e introspectiva aproxima a série de produções como True Detective, sobretudo na forma como privilegia o desconforto e a dúvida. A investigação não é apresentada como um caminho linear rumo à verdade, mas como um território repleto de zonas cinzentas.
Os agentes centrais raramente têm respostas definitivas. Em vários momentos, percebem que suas hipóteses estavam equivocadas, desmontando ideias prontas que o gênero popularizou ao longo dos anos. Essa postura mais cerebral e menos espetacular transforma a experiência em algo exigente, voltado a quem aprecia narrativas psicológicas que priorizam reflexão em vez de ação constante.
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