A Disney chegou perto de protagonizar algumas das maiores aquisições da história do entretenimento, mas viu pelo menos três delas escaparem. Em entrevista ao Financial Times, o ex-CEO Bob Iger revelou que a empresa tentou comprar a franquia James Bond, esteve a poucas horas de adquirir o Twitter e ainda discutiu internamente uma fusão com a Apple (via Variety).
Tudo começou quando Iger assumiu o comando da companhia, em 2005, e iniciou uma ofensiva de compras que moldaria a Disney pelas décadas seguintes. A prioridade era a Pixar, adquirida em 2006 por US$ 7,4 bilhões, negócio que, segundo o executivo, deixou a empresa com a sensação de ser imparável. A partir dali, ele montou uma lista de alvos. Segundo Iger, Marvel, Star Wars e James Bond estavam todos no papel, e a ideia era simplesmente ir riscando os nomes e comprando um por um.

A estratégia funcionou com quase todos. Marvel e Lucasfilm, dona de Star Wars, foram incorporadas à companhia, mas a franquia 007 acabou escapando. O agente secreto britânico ficou primeiro com a MGM e hoje está sob controle da Amazon.
O capítulo mais surpreendente, porém, envolve o Twitter. Iger contou que a Disney negociava a rede social por um preço considerado muito atraente, com planos de transformá-la em uma plataforma global de distribuição de conteúdo. O acordo estava praticamente fechado, mas o próprio executivo recuou na manhã em que os contratos seriam assinados, ao concluir que a compra seria uma distração terrível para o negócio principal da empresa. A desistência mudou o rumo da história, já que sem a Disney na disputa, o caminho ficou livre para que Elon Musk adquirisse a plataforma anos depois e a transformasse no atual X.

A terceira negociação de peso esbarrou na falta de interesse do outro lado. Iger afirmou que uma fusão com a Apple chegou a ser discutida internamente e rendeu algumas conversas com a empresa, mas nunca avançou. Nas palavras dele, a ideia “nunca foi a lugar nenhum”, em boa parte porque a Apple não demonstrou grande entusiasmo. A relação entre as partes sempre foi próxima, já que Iger integrou o conselho da Apple e era amigo pessoal de Steve Jobs, responsável por vender a Pixar à Disney em 2006. Em sua autobiografia de 2019, o executivo já havia escrito que, se Jobs estivesse vivo, provavelmente as duas companhias teriam se unido ou ao menos discutido a fusão com seriedade.
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