Diretor de 47 Ronins é condenado a 2 anos e meio de prisão por fraudar a Netflix em US$ 11 milhões

Carl Rinsch, conhecido por dirigir o longa 47 Ronins, foi condenado na última segunda-feira (29) a 30 meses de prisão, ou dois anos e meio, por desviar cerca de US$ 11 milhões da Netflix durante a produção de uma série de ficção científica que nunca foi concluída (via Variety).

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O projeto, inicialmente batizado de White Horse e depois rebatizado como Conquest, foi fechado com a plataforma em 2018, em um contrato que girava em torno de US$ 40 milhões. Algum tempo depois, Rinsch pediu mais US$ 11 milhões alegando que precisava da quantia para finalizar as gravações, e a Netflix concordou. Esse foi justamente o dinheiro no centro do processo, já que, em vez de terminar a série, o diretor o utilizou para fins bem diferentes.

Segundo a acusação, Rinsch aplicou boa parte do valor em criptomoedas e apostas de alto risco no mercado financeiro, perdendo metade da quantia em poucos meses. O restante foi parar em uma lista de gastos pessoais extravagantes, que incluiu cinco carros da Rolls-Royce, uma Ferrari, relógios caros, um colchão artesanal sueco avaliado em US$ 439 mil e até centenas de pedidos de delivery.

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Diretor de 47 Ronins é condenado a 2 anos e meio de prisão por fraudar a Netflix em US$ 11 milhões

A plataforma desembolsou cerca de US$ 55 milhões no total ao longo do projeto, que nunca passou de alguns clipes de teaser antes de ser cancelado em 2021. Rinsch ainda tentou processar a Netflix por US$ 14 milhões que dizia ter direito, mas perdeu a arbitragem em 2024, sendo condenado a pagar US$ 12 milhões à empresa, valor que segue sem ser quitado.

Condenado por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro em dezembro de 2025, o diretor de 48 anos acabou recebendo uma pena bem abaixo do que pedia a acusação. Jay Clayton, da promotoria de Nova York, defendia ao menos 60 meses de prisão, enquanto as diretrizes federais apontavam penas que podiam se aproximar de uma década ou mais, em razão do alto valor envolvido.

No entanto, o juiz Jed Rakoff, optou por uma punição mais leve depois de considerar evidências sobre a saúde mental do cineasta, apresentadas pela defesa, que havia chegado a pedir uma pena alternativa sem reclusão, alegando tratar-se da primeira infração e do provável fim de sua carreira.

Keanu Reeves defende diretor de 47 Ronins condenado por fraude de US$ 11 milhões contra a Netflix

Mesmo reconhecendo esse quadro, Rakoff foi firme ao afirmar que Rinsch estava determinado a mentir para obter o dinheiro e que tentou encobrir o esquema. Diante do tribunal, o diretor se disse profundamente arrependido, afirmando que não percebeu o perigo da condição em que se encontrava nem buscou ajuda, e que aceitava a responsabilidade pelos próprios atos.

Um dos capítulos mais inusitados do processo foi o apoio público de Keanu Reeves, que trabalhou com Rinsch em 47 Ronins e foi um dos primeiros investidores e mentores de White Horse, a ponto de uma executiva da Netflix ter lido o roteiro da série em sua casa antes da assinatura do contrato. Em carta enviada ao juiz, o ator descreveu o diretor como um artista excepcional e pediu que a pena fosse acompanhada de clemência e misericórdia. Reeves admitiu não conhecer os detalhes do caso, mas ofereceu sua leitura pessoal sobre o amigo, afirmando que Rinsch tende a se autossabotar ao ampliar a escala e a dimensão daquilo que havia sido combinado, colocando a si mesmo e seus parceiros em conflito.

Keanu Reeves defende diretor de 47 Ronins condenado por fraude de US$ 11 milhões contra a Netflix

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João Victor Albuquerque
João Victor Albuquerque
Apaixonado por joguinhos, filmes, animes e séries, mas sempre atrasado com todos eles. Escrevo principalmente sobre animes e tenho a tendência de tentar encaixar Hunter x Hunter ou One Piece em qualquer conversa.