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Como eventos reais inspiraram a história de Adolescência

A minissérie Adolescência, da Netflix, tem chamado atenção não apenas por sua abordagem intensa e sua narrativa em plano-sequência, mas também pela maneira como se inspira em eventos reais para contar uma história profundamente perturbadora. A trama acompanha Jamie Miller, um adolescente de 13 anos acusado de assassinar uma colega de escola, e explora como influências online e ideologias extremistas podem moldar a mente de jovens vulneráveis.

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Ao contrário de outras produções baseadas diretamente em um caso específico, Adolescência nasceu da inquietação de seus criadores diante do crescente número de crimes violentos cometidos por jovens no Reino Unido. Stephen Graham, co-criador, roteirista e ator da série, revelou que a ideia surgiu após ler uma série de notícias sobre adolescentes envolvidos em crimes brutais. Em entrevista ao The Independent, ele explicou: “Li um artigo sobre um menino que esfaqueou uma menina. Depois, alguns meses depois, vi outra notícia parecida. Isso partiu meu coração.”

Além do aumento da violência juvenil, Graham e sua equipe também se inspiraram em estatísticas alarmantes sobre crimes com facas no Reino Unido. Segundo a Ben Kinsella Trust, o número de crimes desse tipo no país aumentou 80% na última década, com quase 51 mil incidentes registrados apenas no período de um ano até junho de 2024. Esses dados ajudaram a moldar o contexto social da série, tornando-a um reflexo inquietante da realidade.

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A influência das subculturas online na narrativa

Como eventos reais inspiraram a história de Adolescência

Um dos aspectos mais explorados em Adolescência é o impacto da cultura digital na radicalização de jovens. No segundo episódio, a investigação policial descobre que Jamie havia sido chamado de incel (celibatário involuntário) por sua futura vítima, Katie. Inicialmente, o detetive Luke Bascombe interpreta isso como uma forma de bullying contra o adolescente, mas sua colega, a detetive Misha Frank, alerta sobre a necessidade de evitar narrativas que transformam agressores em protagonistas e vítimas em personagens secundários.

A terceira parte da série aprofunda a influência da chamada manosphere—um conjunto de comunidades online que disseminam ideologias misóginas—na mente de Jamie. Durante uma sessão com a psicóloga Briony Ariston, ele revela que participava de um grupo virtual onde discutiam conceitos como a “teoria 80/20”, que sugere que 80% das mulheres se interessam apenas por 20% dos homens. Ele também conta que tentou se aproximar de Katie após o vazamento de fotos íntimas dela, acreditando que sua vulnerabilidade aumentaria suas chances de sucesso. Quando ela o rejeitou e o chamou de incel, a relação entre os dois se deteriorou.

Jack Thorne, co-criador e roteirista da série, destacou que a radicalização de jovens online vai muito além de figuras conhecidas como Andrew Tate. Em entrevista ao The Guardian, ele afirmou: “Estávamos tentando construir um retrato complexo desse garoto que foi influenciado por diversos fatores. O problema da cultura incel é que ela tem uma lógica interna que pode ser sedutora para um adolescente isolado.”

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