A minissérie Adolescência, lançada recentemente pela Netflix, rapidamente se tornou um dos títulos mais comentados da plataforma. Criada por Jack Thorne e Stephen Graham, a produção acompanha a história de Jamie, um garoto de 13 anos acusado de assassinato, e os desdobramentos do crime em sua família e comunidade. Mas, além do enredo impactante e das atuações elogiadas, um dos aspectos mais impressionantes da série é sua cinematografia única: cada um dos quatro episódios foi filmado em um único take, sem cortes visíveis.
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Essa abordagem ousada não apenas ampliou a sensação de realismo da trama, como também exigiu um trabalho meticuloso por parte do elenco e da equipe técnica. Mas como foi possível gravar uma série inteira dessa forma?
Cada episódio foi gravado em uma única tomada
Se em algum momento os espectadores suspeitaram de truques de edição para simular um plano-sequência, a resposta é clara: Adolescência realmente foi filmada em um único take por episódio. Desde a cena inicial, quando os detetives Luke Bascombe e Misha Frank aguardam no carro para prender Jamie, até a intensa conclusão de cada capítulo, a câmera nunca para de rodar.
Para tornar esse feito possível, o elenco e a equipe técnica passaram por semanas de ensaios rigorosos. Conforme revelado pela Netflix em uma sessão de perguntas e respostas no X, os atores realizavam repetidas passagens do roteiro, enquanto os operadores de câmera, técnicos de som e outros profissionais treinavam os movimentos necessários para que a gravação fluísse perfeitamente. Até mesmo alguns membros da equipe tiveram que atuar como figurantes, pois não havia como se esconderem durante as filmagens.
O longo processo de filmagem e as múltiplas tentativas
Embora cada episódio exibido tenha sido registrado em um único take, o caminho até a versão final envolveu inúmeras tentativas. A produção estipulou cinco dias de filmagem para cada episódio, com a intenção de registrar cerca de dez tomadas por capítulo. No entanto, algumas sequências exigiram ainda mais repetições devido a erros inesperados.
A Netflix revelou que o episódio 1 foi finalizado na segunda tentativa, enquanto o episódio 2 precisou de 13 tomadas para alcançar o resultado ideal. Já o episódio 3 foi concluído na 11ª tentativa, e o episódio final demandou 16 gravações para ser finalizado.
Curiosamente, a ordem de gravação dos episódios não seguiu a sequência cronológica da história. O primeiro capítulo filmado foi o episódio 3, em que Jamie se encontra com a psicóloga infantil Briony. Isso significa que o jovem ator Owen Cooper fez sua estreia profissional justamente em uma das cenas mais emocionalmente carregadas da série.
Sem cortes ocultos: um desafio cinematográfico real
Ao contrário de outras produções que utilizam edição digital para mascarar cortes, Adolescência não recorreu a esse artifício. Cada episódio foi realmente gravado em um plano-sequência contínuo, sem a necessidade de conectar diferentes takes na pós-produção.
Os editores da série, portanto, não precisaram se preocupar em costurar cenas para criar a ilusão de continuidade. Seu trabalho se concentrou na correção de cores, mixagem de som e ajustes sutis que ajudaram a manter a atmosfera densa da história. Esse feito técnico elevou ainda mais o impacto da produção, reforçando a sensação de imersão total do público na trama.
O impressionante plano com drone e a cena da janela
Entre os momentos mais desafiadores das filmagens, um dos destaques acontece no episódio 2, quando os detetives vão até a escola de Jamie para tentar encontrar pistas sobre o paradeiro da arma do crime. A sequência culmina em uma perseguição, onde um dos amigos do garoto salta pela janela de uma sala de aula e foge da polícia.
Para executar esse plano sem cortes, a equipe adotou uma estratégia engenhosa. Antes das filmagens, o vidro da janela foi removido, permitindo que o operador de câmera, posicionado dentro da sala, passasse o equipamento para outro cinegrafista que aguardava do lado de fora. O segundo operador, agachado para não aparecer na cena, então assumia a gravação e seguia com a perseguição. Após a filmagem, o vidro foi digitalmente recolocado através de efeitos visuais.
Outro momento marcante ocorre no mesmo episódio, quando a câmera segue um grupo de alunos saindo da escola e, em um movimento contínuo, é acoplada a um drone que sobrevoa a cidade. O dispositivo então viaja cerca de 500 metros até chegar ao local onde Katie foi assassinada, agora transformado em um memorial. No momento do pouso, um operador de câmera e sua equipe de apoio aguardavam para recuperar o equipamento e seguir com a filmagem até o final do episódio.
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