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Cinco bons motivos para recordar “Casino”, a obra-prima esquecida de Martin Scorsese

Não existem dúvidas de que Martin Scorsese é um dos melhores cineastas da história. O realizador norte-americano conta com um carreira longa e recheada de sucessos e continua a ser um dos melhores criadores de cinema da atualidade.

Conhecido pelos seus filmes de mafiosos, como o inesquecível Tudo Bons Rapazes, Scorsese é também distinguido pelo seu estilo narrativo acessível, pela sua colaboração de longa-data com o ator Robert De Niro e pela sua habilidade ímpar para contar histórias complexas de forma envolvente e divertida.

Os fãs mais jovens de cinema certamente reconhecerão o trabalho de Scorsese graças ao filme O Lobo de Wall Street, uma das mais sensacionais produções de Hollywood da última década, que contou com a presença de um elenco brilhante liderado por Leonardo DiCaprio.

No entanto, vale muito a pena viajar atrás no tempo e ficar a conhecer o grosso da obra do realizador: alguns dos filmes mais icónicos do cineasta, como os aclamados Taxi Driver e O Touro Enraivecido são títulos essenciais da história do cinema.

Mas no meio de tudo isto, onde fica Casino, o brilhante filme que conta a história de Las Vegas que Scorsese estreou há cerca de 26 anos atrás?

No contexto da obra de Scorsese, Casino cai muitas vezes no esquecimento; o filme foi, de resto, subvalorizado no próprio ano em que saiu, em 1995, tendo conseguido apenas uma nomeação para os Óscares. Hoje, cerca de um quarto de século após a sua edição, decidimos recordar esta obra-prima esquecida e oferecer-lhe cinco bons motivos pelos quais vale muito a pena revisitá-lo.

1. A consolidação da narrativa de Scorsese

Não existe apenas um Martin Scorsese. Inicialmente distinguido como um realizador realista que contava histórias íntimas com uma crueza cinematográfica notável (basta pensar na densidade psicológica de Taxi Driver), o norte-americano acabou por se transformar de forma natural num inacreditável contador de histórias. Se por um lado Tudo Bons Rapazes é visto como o filme que melhor exemplifica a narrativa típica de Scorsese (marcada pela presença de um narrador e pela brilhante representação da passagem do tempo), Casino é a obra-prima esquecida que consolida de forma permanente o estilo de Scorsese. Este tipo de narrativa, de resto, continua a estar muito presente no trabalho do realizador: os paralelos entre Casino e o filme de 2019 O Irlandês são notáveis.

2. A representação do mundo do jogo

Grande parte do charme de Casino reside na sua representação do mundo do jogo. Se você gosta de jogar jogos de sorte e azar, você tem mesmo que conferir este filme. A narrativa de Casino foca-se mais nos bastidores do mundo do jogo, mas não deixa de ser muito interessante ver a maneira como Sam Rothstein (Robert De Niro) coordena as operações diárias de um grande casino de Las Vegas. Em 2021, a era de ouro do clássico casino parece ter definitivamente chegado ao fim, mas os casinos online têm vindo a substituir os seus homólogos territoriais em termos de popularidade. Hoje em dia, já é possível jogar roleta online em português de forma segura e confortável, sem que tenha que sair de casa. Graças aos casinos online, os jogos de sorte atravessam um dos maiores períodos de popularidade da sua história.

3. A grande personagem feminina de Scorsese

Se há uma crítica que se pode fazer a Scorsese é a de que as suas personagens femininas não têm, por vezes, a mesma profundidade dos seus equivalentes masculinos. A maior parte das histórias contadas pelo realizador foca-se num mundo de homens, em que as mulheres se limitam a desempenhar o papel de esposas ou amantes. Mas isso não acontece em Casino. Em 1995, Scorsese contou com a ajuda de uma brilhante Sharon Stone no papel de Giner McKenna para desenvolver aquela que foi, discutivelmente, a sua primeira (e mais icónica) grande personagem feminina. A atuação de Stone acabou por lhe valer um Globo de Ouro em 1996.

4. O charme único de Las Vegas

O filme Casino foi inspirado num livro do autor Nicholas Pileggi e abordou um dos temas mais fascinantes da filmografia de Scorsese: o “nascimento” da cidade de Las Vegas, hoje considerada a capital dos jogos de sorte e azar em todo o mundo. Se você se interessa por história e quer saber mais acerca dos motivos por detrás da fundação de Las Vegas, não há nada como revisitar este fabuloso filme de 1995.

5. A banda sonora em estilo de mixtape

Talvez o ponto menos importante do nosso artigo, mas ainda assim um detalhe digno de nota. Para além de ter consolidado o estilo de narrativa de Scorsese, Casino destacou-se pela sua banda sonora, uma das primeiras da filmografia do realizador a optar por um estilo de mixtape. Ao contrário do que seria de esperar, Scorsese não se focou apenas em canções da época do filme, tendo antes optado por um rol de grandes temas que se estendem ao longo de três décadas. A banda sonora de Casino é única, arrojada, e extremamente diversa, contando com títulos de artistas tão díspares quanto B.B. King, Roxy Music, Tony Bennett, Devo, ou mesmo Johann Sebastian Bach.

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