A Odisseia, novo filme de Christopher Nolan, chegou aos cinemas como a primeira produção da história filmada inteiramente com câmeras Imax, mas apenas 25 salas nos Estados Unidos estão equipadas para exibir a experiência completa em Imax 70mm. A escassez tem levado espectadores a fazer viagens de longa distância só para assistir ao filme no formato pretendido por Nolan, gerando uma verdadeira corrida por ingressos.
Segundo o CEO da Imax, Richard Gelfond, o problema não é falta de vontade, mas sim de capacidade técnica: os projetores de filme Imax não são fabricados há cerca de 50 anos, o que obriga a empresa a reformar e reconstruir unidades antigas em vez de produzir novas. Fontes da Imax confirmaram à Variety que muitas peças necessárias para esses projetores especializados “simplesmente não existem mais”, já que os arquivos de design originais nunca foram devidamente mantidos ao longo das décadas.
A perda desse conhecimento técnico remonta à transição de Hollywood do filme para a projeção digital no final dos anos 2000, quando fabricantes pararam de produzir projetores de película e suas peças de reposição por serem mais caros e difíceis de manter que os digitais. O interesse pelo formato só voltou a crescer recentemente por conta de diretores como Nolan e Denis Villeneuve, ainda que a experiência continue sendo um nicho dentro da indústria.
Após um ano recorde de bilheteria em 2023, impulsionado por “Oppenheimer”, a Imax passou mais de um ano rastreando projetores quebrados, abandonados ou esquecidos ao redor do mundo para restaurá-los e treinou 60 novos projecionistas do zero. O resultado desse esforço elevou o número de locais com Imax 70mm de 30, durante “Oppenheimer”, para 41 em todo o mundo para A Odisseia — um aumento líquido de apenas 11 unidades, já que um projetor foi perdido durante o processo.
A Imax também destaca que a expansão do formato enfrenta uma barreira estrutural: poucos cinemas constroem salas capazes de abrigar as telas gigantes em proporção 1.43:1 exigidas pelo Imax 70mm, devido ao alto custo de construção. Mesmo que a empresa conseguisse fabricar mais projetores magicamente, faltariam salas físicas preparadas para instalá-los, o que limita a expansão independentemente da demanda do público.
É irônico que, na era do streaming e da digitalização quase total do cinema, a maior corrida por ingressos de 2026 esteja girando em torno de uma tecnologia analógica que a própria indústria abandonou há quase duas décadas. Resta saber se esse renascimento do Imax 70mm vai se sustentar além de nomes como Nolan e Villeneuve, ou se continuará sendo um fenômeno restrito a poucos eventos cinematográficos por ano.


