A DC construiu boa parte da sua mitologia sobre o peso de perdas irreversíveis, usando a morte não como um recurso barato, mas como ferramenta para reformular heróis inteiros e reorganizar décadas de continuidade. Passados quase noventa anos desde a estreia do Superman, algumas dessas partidas ainda ecoam tanto quanto no dia em que foram publicadas, tendo moldado gerações de personagens e leitores.
Pensando nisso, organizamos uma lista com as 5 mortes que mais mudaram a história da DC.
1. Os Wayne

Desde as primeiras aparições do Batman, lá em 1939, a editora já sabia que a origem do detetive precisava de uma tragédia à altura do mistério que o cercava. Thomas e Martha Wayne, executados a sangue-frio diante do próprio filho num beco de Gotham, se tornaram o ponto de partida obrigatório de praticamente toda adaptação do personagem, dos quadrinhos ao cinema. Diferente de outras mortes parentais do gênero, a dos Wayne nunca perdeu força dramática justamente por ser recontada repetidas vezes, com cada versão reinterpretando o mesmo momento sob uma ótica diferente.
2. Barry Allen

A Crise nas Infinitas Terras, publicada entre 1985 e 1986 por Marv Wolfman e George Pérez, tinha a missão de encerrar de vez o conceito de multiverso que a DC vinha arrastando desde os anos 1960, e coube a Barry Allen encarnar esse fim simbolicamente. Encurralado pelo Anti-Monitor, o velocista corre em círculos ao redor do canhão de antimatéria até ser completamente consumido pela própria Força da Aceleração, na tentativa de destruir a arma antes que ela apagasse universos inteiros.
A partida de Barry deixou o posto de Flash vago por décadas, sendo Wally West quem assumiu o manto e ajudou a redefinir o próprio conceito do herói mais veloz da editora.
3. Supergirl

Na mesma saga, Kara Zor-El protagonizou uma das cenas mais citadas da história dos quadrinhos, jogando o próprio corpo entre o primo e um ataque fatal do Anti-Monitor para salvar o Superman. A morte foi desenhada por George Pérez, com um peso emocional raro para a época, terminando com Kara nos braços do primo, e se tornou tão significativa que a DC decidiu apagar completamente sua existência do novo universo pós-Crise. Isso significou quase duas décadas sem nenhuma Supergirl kryptoniana nas bancas, até Kara voltar oficialmente em 2004.
4. Jason Todd

Em 1988, a DC tomou uma decisão editorial sem precedentes, deixando nas mãos do próprio público o destino do segundo Robin através de uma votação por telefone. Os leitores ligaram aos milhares para escolher entre salvar ou condenar Jason Todd, e a votação pela morte venceu, abrindo caminho para que o Coringa espancasse o garoto com um pé de cabra e o deixasse para morrer numa explosão.
Jason acabaria voltando à vida através do Poço de Lázaro e assumindo a identidade do Capuz Vermelho, mas o trauma da própria morte segue definindo Batman até hoje.
5. Superman

Em 1992, a DC arriscou em uma decisão editorial ousada, colocando o Superman contra uma criatura sem nome e sem passado, batizada apenas de Apocalypse. A criatura avançou sobre Metrópolis derrubando os membros da Liga da Justiça um a um, até sobrar só o próprio Superman, que trocou socos com o monstro até os dois desabarem sem vida.
A repercussão saiu completamente do nicho dos quadrinhos, virando manchete em jornais de todo o mundo. Mesmo sabendo que o retorno era questão de tempo, a morte do Superman continua sendo um dos maiores fenômenos culturais que os quadrinhos já produziram.
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