A Rede Social 2 (The Social Reckoning) acompanha Frances Haugen, interpretada por Mikey Madison, na descoberta de documentos que expõem práticas controversas do Facebook. O desfecho do filme leva a denunciante até o Congresso e mostra como a empresa consegue atravessar o escândalo sem sofrer consequências proporcionais às acusações apresentadas.
Frances trabalha na equipe de Integridade Civil do Facebook e, apesar de ser vista como alguém desconfortável pelos colegas, acredita que a plataforma pode aproximar as pessoas. Essa percepção muda quando uma amiga é conduzida pelo algoritmo a grupos extremistas. Ao tentar entender o que aconteceu, Frances encontra estudos e documentos internos que revelam problemas muito maiores.
Com a ajuda do jornalista Jeff Horwitz, vivido por Jeremy Allen White, ela descobre que o Facebook prioriza conteúdos capazes de provocar reações fortes, especialmente indignação. A estratégia aumenta o tempo que os usuários permanecem na plataforma, mas também facilita a circulação de desinformação e a radicalização. Entre os arquivos encontrados estão pesquisas que apontam impactos graves do Instagram na saúde mental de adolescentes, principalmente meninas. O filme afirma que Mark Zuckerberg tentou esconder esses resultados enquanto a empresa ampliava o direcionamento do aplicativo para o público jovem.
Frances e Jeff passam mais de um ano reunindo provas para o conjunto de denúncias conhecido como Facebook Files. Inicialmente receosa de ser identificada, Frances decide revelar que é a fonte das informações publicadas pelo Wall Street Journal. A exposição faz o Facebook considerar processá-la, levando a denunciante a buscar proteção prevista nas leis para informantes.
O depoimento de Frances
A etapa mais importante do final acontece quando Frances testemunha diante do Congresso. O depoimento representa a ruptura definitiva entre ela e a empresa em que acreditava. Frances deixa de ser uma funcionária comprometida com a missão de conectar pessoas e passa a denunciar publicamente os mecanismos que, na visão apresentada pelo filme, mantêm os usuários presos à plataforma.
A cena também coloca a personagem em oposição direta a Mark Zuckerberg, interpretado por Jeremy Strong. Durante a investigação, Zuckerberg defende a ideia de que o Facebook funciona como uma praça pública, e não como um árbitro responsável por decidir o que pode ser compartilhado. Essa posição ajuda a explicar por que a empresa não combate a desinformação de maneira efetiva.
O que acontece com o Facebook?
O epílogo mostra que o Facebook escapa, em grande parte, de uma punição significativa. A empresa muda seu nome para Meta e apresenta a alteração como o encerramento de uma fase e o início de outra. No entanto, o filme afirma que os problemas denunciados por Frances e Jeff permanecem praticamente sem solução.
A desinformação continua sendo um ponto central, já que a política da companhia ainda seria não realizar checagem de fatos sobre o conteúdo publicado. Assim, o encerramento de A Rede Social 2 (The Social Reckoning) não apresenta uma transformação real, mas uma mudança de identidade corporativa. A principal crítica do filme está justamente nessa distância entre a crise pública enfrentada pela empresa e as medidas concretas adotadas para corrigir suas práticas.




