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Cyberpunk e Tecnologia – Como esse gênero da ficção científica se assemelha com o nosso atual cenário

Imagine um futuro onde é possível ler livros em dispositivos eletrônicos, efetuar reuniões em tempo real por meio de vídeos e fazer compras em loja virtual.

Há alguns anos, imaginar esse cenário era pensar em uma história cyberpunk, um conhecido subgênero da ficção científica, mas é também olhar para o nosso presente.

Quem diria que a ficção imaginada por criativos contadores de histórias (pelo menos parte dessa ficção) iria estar tão atuante no nosso dia a dia? Pois isso já ocorreu. O cyberpunk, na verdade, alguns elementos dele, ganharam a vida real.

Você sabe o que é cyberpunk? Nesse texto, você vai ver que mesmo sem carros voadores entre os arranha-céus das nossas grandes cidades, o nosso cotidiano tem alguns elementos típicos desse gênero. Saiba mais sobre esse tema nos tópicos abaixo.

Cyberpunk – Entendendo os significados desse conceito

O longa-metragem “Blade Runner – O Caçador de Androides” foi lançado em 1982. Logo na cena de abertura vemos na tela a legenda “Los Angeles, Novembro, 2019”. Em seguida, os faróis de um carro voador se confundem com as luzes da enorme cidade.

Repararam no ano em que ocorre a história? Nesse fictício 2019 do clássico dirigido pelo cineasta Ridley Scott, há carros voando e androides caminhando entre nós.

Na vida real estamos em 2021. Ainda não há carros voadores e os únicos androides são os nossos smartphones. Contudo, a Inteligência Artificial já é uma das protagonistas no atual cenário tecnológico. Em suma, o nosso presente é um pouco cyberpunk sim.

As características de uma história de ficção científica cyberpunk possuem um teor crítico que, em muitos casos, trazem uma pitada de pessimismo em relação ao futuro da tecnologia.

As origens do termo Cyberpunk

O caos urbano e a alta tecnologia nas histórias cyberpunk mostram um futuro distópico, ao contrário, por exemplo, de obras mais utópicas como as de escritores do porte do Isaac Asimov, por exemplo.

É justamente por nadar contra a corrente do otimismo que o termo “punk” surge logo depois da palavra “cyber”. Ou seja, em uma narrativa desse gênero, o futuro não é apenas cibernético, mas também é “punk”, é estranho, sujo e sufocante.

Sendo assim, não é à toa que as histórias do gênero cyberpunk são povoadas por personagens “outsiders”, que habitam sociedades futuristas controladas por mega corporações tecnológicas.

A ideia da ficção científica mostrando que o futuro não será um mar de rosas não é uma novidade. O longa-metragem Metrópolis ilustra bem essa situação. Esse clássico dirigido pelo cineasta Fritz Lang já mostrava uma sociedade altamente tecnológica e muito longe da harmonia e perfeição. E isso tudo em 1927.

Posso citar também o livro “Admirável Mundo Novo”, ficção publicada em 1932 pelo autor britânico Aldous Huxley. Uma rápida lida nas páginas desse clássico já mostra uma narrativa flertando de leve com o cyberpunk.

Mas foi nos anos 80, com os livros “Neuromancer”, “Monalisa Overdrive” e demais obras do escritor William Gibson, que o termo cyberpunk veio à tona.

Não dá para esquecer também que essa década deu à luz a outras obras definidoras do gênero, como o filme “Blade Runner” e a animação “Akira”.

A atual tecnologia e os principais elementos do gênero Cyberpunk

Quando a internet se popularizou ainda em meados dos anos 90, aos poucos foram surgindo ferramentas que mudaram o modo como empresas e consumidores se relacionam.

Hoje em dia, em que estamos com os dois pés na era digital, nós estudamos e trabalhamos pela internet. Inclusive, consumimos produtos e serviços pela web. A rede mundial já está devidamente inserida em nossa rotina.

Porém, ainda que o nosso dia a dia não seja tão colorido quanto um desenho dos Jetsons, também não é tão distópico e dark quanto o que vemos em filmes como Blade Runner e Matrix. O nosso presente é “cyber”, mas – pelo menos por enquanto – não é tão “punk”.

Mas assim mesmo é interessante pensarmos nas tecnologias que usamos atualmente e como elas são semelhantes, em alguns aspectos, ao que vemos nos filmes, games e livros cyberpunk. Alguns desses exemplos são elencados abaixo.

Inteligência Artificial

Em filmes como “Exterminador do Futuro” e “Vingadores – A Era de Ultron”, a IA não faz bem para a humanidade. Mas na vida real, no nosso cotidiano, ela é utilizada para sugerir os conteúdos que você vai assistir na Netflix.

Isso mesmo, serviços de streaming, como o Youtube, Spotify e muitos outros, há tempos contam com IAs que analisam e compreendem os gostos e preferências do freguês.

E sabe quando você acessa uma loja virtual ou um site de uma empresa e surge uma caixa de diálogo em um canto inferior da tela para dialogar com você? Pois então, isso é um exemplo do uso da Inteligência Artificial no atendimento aos clientes.

As IAs atuais estão aptas para sugerir conteúdo e responder algumas perguntas básicas devido a um detalhe conhecido como Machine Learning, que pode ser traduzido como “Aprendizado de Máquina”.

Graças a esse recurso, é possível utilizar algoritmos que possibilitam ensinar máquinas a desempenharem determinadas atividades. É claro que ainda estamos longe de encontrar nas ruas robôs feitos à nossa imagem e semelhança como nos melhores exemplares de histórias cyberpunk, mas é fato que a Inteligência Artificial já é uma realidade.

Internet das Coisas

E falando em IA e Aprendizado de Máquina, vale lembrar também da Internet of Things (IoT), que em bom português é a Internet das Coisas.

Essa tecnologia consiste basicamente em conectar os principais dispositivos do nosso cotidiano na internet. Na prática, aparelhos como o seu celular, a TV, a geladeira e até as lâmpadas da casa – ou do seu local de trabalho – são conectados na web, viabilizando uma melhor interação.

Imagine, por exemplo, que você está no supermercado e, com apenas alguns cliques no seu smartphone, tem condições de acionar o ar-condicionado da sua casa. Essa “magia” digna de uma excelente história cyberpunk aos poucos está se tornando comum na vida real.

E a situação fica ainda mais interessante quando percebemos que não apenas o nosso lar doce lar, mas também o cenário urbano das grandes cidades, pode ser gerenciado por meio da Internet das Coisas.

Semáforos, parquímetros, sistemas de iluminação e vários elementos das grandes cidades poderão, quem sabe em um futuro breve, serem conectados à internet.

Carros inteligentes

A IoT também pode estar presente no mundo automotivo. Já existem carros com sensores que auxiliam o motorista a estacionar. Além disso, já observamos a existência dos carros híbridos que funcionam com dois motores: um elétrico e outro movido à combustão.

Além disso, já há notícias de carros semiautônomos, que estacionam sozinhos e aceleram ou freiam baseados no veículo que está na frente, bem como os cada vez mais autônomos, que em breve poderão andar sem a presença humana atrás do volante.

Ao contrário do imaginário cyberpunk, os carros ainda não voam e, por enquanto, estradas são necessárias, mas podemos já notar que os motoristas, aos poucos, nem precisarão mais dirigir.

Saúde

A já mencionada Internet das Coisas também já ajuda – e muito – a Medicina. Hoje em dia os médicos já podem efetuar exames e guiar cirurgias à distância, por meio de vídeos.

Porém, o que mais aproxima a Medicina do cenário cyberpunk é a tecnologia avançada em próteses. Cada vez mais braços mecânicos e pernas artificiais trazem melhores condições de vida para os pacientes.

Conheça algumas das principais obras sobre Cyberpunk

O termo cyberpunk invadiu a cultura pop nos anos 80. Desde então vários filmes, histórias em quadrinhos, games e livros são produzidos baseados nessa temática. Os mais representativos podem ser conferidos abaixo.

Blade Runner

Baseado na obra literária do genial Philip K. Dick, esse filme foi ignorado na época do seu lançamento, em 1982. Porém, o tempo o colocou no seu devido lugar e atualmente ele é praticamente o símbolo do que conhecemos hoje como Cyberpunk.

Todos os elementos que se tornaram marca registrada do gênero estão ali: caos urbano, alta tecnologia e androides. Inclusive, uma sequência do longa-metragem foi lançada em 2017.

Neuromancer

Se existe uma bíblia cyberpunk, talvez ela seja esse livro, publicado em 1984 pelo autor William Gibson.

A história é uma ficção embalada por personagens envolvidos em crimes cibernéticos e outros conceitos peculiares, como realidades virtuais e outros detalhes que serviram de inspiração para posteriores obras do gênero, como “Ghost in the shell” e “Matrix”.

Cyberpunk 2077

Game lançado em 2020 e que, conforme o próprio nome aponta, traz no pacote todos os elementos que uma história desse gênero precisa. Há hackers mercenários, implantes cibernéticos e grandes empresas de tecnologia.

Da ficção para a vida real

Por mais niilistas que algumas obras do gênero cyberpunk sejam, é inegável a relevância que elas possuem hoje em dia, seja como um alerta acerca do uso responsável das tecnologias, seja também como fonte de inspiração para as ferramentas digitais modernas.

É óbvio que ainda não vivemos em um cenário igual ao do “Akira”. Porém, no nosso dia a dia já compramos em loja virtual e também convivemos com a Inteligência Artificial e a Internet das Coisas.

Isso apenas comprova que a boa ficção científica é assim, sempre anda de mãos dadas com a realidade (virtual ou não).

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