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Bravely Default e a recuperação da minha esperança na Square Enix

A Square Enix é uma das companhias que me despertou o amor pelos videogames desde cedo, primeiramente com Final Fantasy Tactics, após isso com Final Fantasy VII, VIII e tantos outros títulos, mas o que diabos aconteceu com a companhia, que parece ter perdido completamente a mão nessa última geração, especialmente no Xbox 360, PS3 e no iOS?

Será que ela perdeu o jeito da coisa e nunca mais vai nos entregar pérolas como os Final Fantasy das antigas e alguns jogos de PS1 que ainda hoje facilmente entram nas listas de melhores RPGs de todos os tempos? Ela felizmente, ainda existe, só encontrou outra casa.

Lançado recentemente no ocidente, Bravely Default é uma prova de que a Square Enix ainda é uma empresa capaz de entregar toda aquela magia de RPGs pela qual ela é conhecida. O jogo é uma continuação espiritual de Final Fantasy: The 4 Heroes of Light, um jogo que abraça todo o estilo oldschool da série e que pode ser facilmente colocado lado a lado de qualquer Final Fanatsy do SNES ou do PlayStation.

Para começar, o jogo adota a boa e velha mitologia dos Heroes of Light, quatro jovens que são escolhidos pelos cristais para salvar o planeta da destruição. Esse enredo já foi usado trocentas vezes no universo de Final Fantasy, seja com essa variação, seja com outras, aliás, Final Fantasy XIII voltou à fábula de cristais, mas de uma maneira diferente.

Nesse jogo, você começa como Tiz, um jovem que é o único sobrevivente de um cataclisma que atinge sua cidade natal, Norende, e logo conhece Agnés, a vestal do vento, além de Ringabell, um viajante que perdeu a memória e carrega um diário com o poder de prever o futuro, e Edea, a filha do general da nação que está perseguindo Agnés e o culto aos cristais.

Todos personagens bastante carismáticos, e que interagem entre si em diversas oportunidades, apresentando uma profundidade de história bem maior do que em Final Fantasy XIII, por exemplo. Ao invés do herói burro que acha que vai salvar todo mundo (olá, Snow) e que nunca muda dessa personalidade, aqui há uma série de diálogos sobre os mais variados temas, mesmo cada um tendo uma característica dominante, como Ringabell sendo um boêmio mulherengo (o que, aliás, gera diversas discussões entre ele e as jovens do grupo).

Não só isso, o jogo ainda apresenta um mapa denso, com histórias interessantes em cada um dos seus cantos, seja o trabalho de reconstruir a vila destruída pelo cataclisma que iniciou a história, seja a cidade cujas habitantes começaram a se importar só com a beleza e esqueceram de todo o resto. Aliás, Bravely Default apresenta algo inédito dentro da mitologia de Final Fantasy, a crítica social, ainda que bastante leve, existe aqui, tanto nessa história quanto em outras, algo difícil de lembrar em mais algum jogo da série.

Apesar de ainda usar o bom e velho (e põe velho nisso) sistema de Active Time Battle, onde cada personagem escolhe a ação que vai fazer ordenadamente, o jogo apresenta algumas novidades a ele, como a possibilidade de você acelerar as animações de batalha (como o bom e velho botão de frameskip do emulador), além das mecânicas de Brave e Default, que dão nome ao game, onde você pode executar mais de uma ação no mesmo turno e ficar alguns rounds esperando para atacar de novo ou guardar turnos (preservando assim a energia ao tomar menos dano) e atacar com tudo de uma vez, tornando o que seria uma desvantagem de um RPG oldschool um sistema divertido, arejado e bem menos chato do que o Paradigm Shift, usado em Final Fantasy XIII, por exemplo.

Eu realmente não sei porquê a Square Enix não decidiu nomear Bravely Default como um Final Fantasy numerado. Pode ser porque a série se modernizou, mas isso foi pro bem ou pro mal? Esse processo se iniciou em Final Fantasy VIII e hoje temos jogos monstruosamente grandes e com orçamentos ainda maiores. A volta às orígens está relegada a títulos menores, com orçamentos bem menores e destinada a outro mercado, o de portáteis, o que é uma pena, já que nem sempre o consumidor de jogos de console é o mesmo do portátil.

Aos consoles, estão destinados agora os títulos grandes, que podem acabar dando ou muito certo, ou muito errado, um tipo de aposta que tem dado errado pro lado da Square Enix .É só olhar os resultados financeiros da companhia pros últimos três anos, Final Fantasy XIV quase quebrou a japonesa.

Pode ser que com a nova direção as coisas comecem a mudar, mas de qualquer forma, aos que ainda querem se conectar com aquela Square Enix que conseguia despertar emoções diversas além da apatia dentro dos fãs, procurem-na nos portáteis, principalmente com Bravely Default, ou mesmo nos diversos remakes de Final Fantasy IV, ou até com os jogos de PS1 e PSP disponíveis no PS Vita, e não nos consoles ou no iOS, pois a chance de decepção é enorme. Eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas se a companhia quiser mesmo voltar a produzir alguns dos melhores RPGs de todos os tempos, Bravely Default é um bom ponto de partida para isso.

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Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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