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A comunidade do FIFA está muito próxima de provar que, sim, o HANDICAP existe

Quem jogou alguma edição de FIFA, especialmente o modo Ultimate Team, certamente passou pela sensação de ver seus jogadores atuando muito abaixo do esperado, principalmente quando seu time é superior ao do adversário.

Na comunidade do game, isto ficou conhecido pelo termo “handicap“, que indicava a (até então) suspeita de que o próprio jogo diminuia os atributos dos jogadores do melhor time para “balancear” a disputa (e, para alguns, até deliberadamente atrapalhava quem estava jogando).

A EA nunca confirmou a existência desta mecânica e, com o passar dos anos, o termo caiu no senso comum de ser apenas uma desculpa para quem estava perdendo ou, simplesmente, era ruim no game.

Mas parece que o jogo virou.

O MODO ULTIMATE TEAM

O Ultimate Team é a galinha dos ovos de ouro da série FIFA, gerando um faturamento, segundo estimativas, de 650 milhões de dólares. Nele, os jogadores montam times comprando cartas que representam os atletas de futebol profissionais, seja com dinheiro virtual ou real.

As cartinhas e suas linhas de
As cartinhas e suas linhas de “química”

Estas cartas possuem atributos como passe, chute, defesa, e velocidade, que definem quem é melhor do que quem nos gramados. Quando colocadas juntas em um time, elas sofrem a influência da “Química”, um outro atributo especial que pode aumentar ou diminuir os stats dos atletas no jogo, o que afeta diretamente o desempenho da equipe dentro do campo virtual.

Os atributos e os valores das cartinhas são definidos no lançamento do jogo; estas são as cartas “básicas” ou “day one”. De acordo com o desempenho dos atletas nos campos de verdade, a EA lança, semanalmente, cartas especiais dos jogadores, com atributos superiores aos das cartas básicas; estas são as cartas “especiais” ou “In Form”, que são mais raras e podem custar até 10 vezes mais do que as cartas básicas no mercado virtual do game. Portanto, não seria muito legal saber que você está gastando o seu dinheiro (real ou não) em algo que não corresponde ao que fora prometido – no caso, as cartas “In Form” serem piores do que as “day one”.

E é aí que a polêmica começa. Desde 2009, quando o Ultimate Team apareceu pela primeira vez na série FIFA, a EA vem moldando todo um ecossistema de compra e venda destas cartas, e muita gente gasta valores exorbitantes para conseguir montar o seu “time dos sonhos”.

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Tirar um “Ronaldo IF” é o sonho molhado de muita gente

O problema é que até a edição mais recente do Fifa, era muito difícil comprovar esta teoria. Mas isso não impediu que alguns jogadores gastassem mais tempo nisso do que no próprio game. E foi daí que partiu a investigação da galera do reddit (sempre eles) e de alguns Youtubers, que resultou na comprovação mais “concreta” até hoje sobre a existência do famigerado handicap.

ELEMENTAR, MEU CARO MESSI

Os detetivões descobriram que no Fifa 16 há uma habilidade que só pode ser executada por jogadores que possuem o stat “Drible” maior do que 86. Aplicando as cartas especiais de “Química” em um jogador day one com stat abaixo disso, foi possível verificar que ele passou a conseguir executar tal movimento.

O momento “dramatic chipmunk” ocorreu quando, ao aplicar a mesma carta de Química em um jogador In Form (ou seja, especial, raro e caro), similar ao anterior, mas ainda com stat de drible abaixo de 86, ele CONTINUOU SEM CONSEGUIR EXECUTAR O MOVIMENTO!!!!!1111 Teoricamente, era para ocorrer exatamente o que aconteceu com a cartinha normal – com o upgrade no stat através da “química”, o jogador também passaria a ter a ousadia e a alegria necessárias para executar o dibre.

EU SABIA!!!!!

Todo este processo pode ser visualizado neste vídeo do Youtuber Onix. E mais detalhes sobre a investigação do infame “handicap” podem ser conferidos neste subreddit (ambos em inglês).

Até o momento, a EA não se pronunciou sobre o caso. E, segundo levantamentos da própria comunidade, este glitch pode estar ocorrendo desde a primeira versão do Ultimate Team – ou seja, há quase 7 anos!

A nova edição da franquia já está sendo divulgada e, pela primeira vez, ela vai incluir um “modo história”. Isto não prova nada, mas pelo menos ajuda a ampliar a sensação de que a EA prefere adicionar novos “recursos” ao jogo do que ouvir sua própria comunidade e corrigir falhas graves, que afetam diretamente a jogabilidade do game e a sanidade de seus jogadores.

Por enquanto, só nos restar esperar para ver como a empresa vai se pronunciar sobre este caso: se ela vai (finalmente) admitir a existência do handicap, caso ele tenha sido intencional, ou se conseguirá corrigir esta possível falha desconhecida a tempo do lançamento do FIFA 17, em setembro deste ano.

Diego Melo
Diego Melohttp://criticalhits.com.br
Diego Melo é graduado em jornalismo pela Unesp de Bauru. Gosta de joguinhos eletrônicos desde que se entende por gente. Prefere o PC, mas não deixa de jogar em seu New 3DS, PS3, e Xbox One de vez em quando.