Nue’s Exorcist acumula três anos de publicação na Weekly Shonen Jump e já tem material mais do que suficiente para uma adaptação animada, mas segue sem qualquer anúncio nessa direção. Enquanto isso, séries mais recentes já garantiram seus animes, e o mangá de Kota Kawae parece cada vez mais invisível dentro de um mercado competitivo.
O caso fica ainda mais evidente quando colocado ao lado de Kagurabachi. A série estreou alguns meses depois de Nue’s Exorcist e, com pouco mais de 100 capítulos publicados, já teve sua adaptação para anime confirmada com grande repercussão mundial. A comparação é inevitável e expõe uma disparidade difícil de ignorar: Nue’s Exorcist tem mais capítulos, mais tempo de publicação e uma base de fãs que pede ativamente por uma adaptação, mas continua à margem das decisões das produtoras.
O que Nue’s Exorcist tem a oferecer

A série acompanha Gakuto Kajiwara, um jovem com a habilidade de enxergar espíritos. Após estabelecer um contrato com um espírito poderoso chamado Nue, ele se torna um exorcista e enfrenta criaturas cada vez mais ameaçadoras ao longo dos arcos. A fórmula é clássica: novos poderes, novas formas, batalhas intensas e um elenco feminino que cresce a cada arco por conta da dedicação do protagonista. É exatamente o tipo de história que o Shonen Jump consolidou ao longo de décadas.
Esse apelo à nostalgia é ao mesmo tempo o ponto forte e o possível motivo pelo qual a série não consegue romper o teto de atenção do público atual. Em um momento em que títulos como Kagurabachi, Ichi the Witch e Sakamoto Days chamam atenção justamente por subverter convenções do gênero, Nue’s Exorcist aposta na linguagem tradicional do shonen de batalha. Não é uma proposta inferior; é diferente. Mas a diferença, nesse contexto, parece estar custando visibilidade.
Vale lembrar que a Shonen Jump atravessou uma fase intensa de mangás sobre exorcistas e caçadores de monstros no início dos anos 2020, e Nue’s Exorcist é praticamente o único sobrevivente dessa geração. Isso já diz bastante sobre a qualidade e a consistência da série, que mantém um ritmo estável com designs de monstros elaborados e arcos bem estruturados.
Uma adaptação animada de qualidade poderia ser o divisor de águas que a série precisa para alcançar o reconhecimento que não está conseguindo apenas pelo mangá. Existem títulos que precisam da animação para revelar todo o seu potencial, e Nue’s Exorcist parece ser exatamente um deles. Continuar deixando essa série de lado enquanto novidades menos consolidadas recebem luz verde é uma decisão que vai ficando cada vez mais difícil de entender. Você ainda apostaria numa adaptação saindo esse ano?


