Tatsuki Fujimoto, autor de Chainsaw Man e Look Back, explicou como a rotina de publicação semanal influencia seu processo criativo e contribui para o desenvolvimento de personagens marcantes. A declaração foi dada em uma entrevista com Kōhei Kadowaki, diretor do filme animado We Are Aliens (Wareware wa Uchuujin), obra que Fujimoto acompanha como fã.
Durante a conversa, Fujimoto comentou que o ritmo intenso da serialização deixa pouco espaço para planejar todos os detalhes da trama com antecedência. Por isso, muitas ideias acabam sendo colocadas diretamente no storyboard. Em vez de definir completamente o caminho dos personagens antes de desenhar, o mangaká permite que eles avancem de maneira mais espontânea ao longo do processo.
Segundo Fujimoto, essa dinâmica faz com que os personagens pareçam se desenvolver por conta própria. Embora a falta de controle possa ser uma consequência da produção semanal, ele afirmou que consegue lidar bem com a pressão justamente porque gosta desse tipo de imprevisibilidade.
“Faço porque gosto de perder o controle”, declarou o autor. Ele também explicou que, se não conseguisse aproveitar essa característica do processo, a rotina de criação provavelmente se tornaria insustentável.
A reação do público é outro fator que poderia aumentar a pressão sobre um mangaká, mas Fujimoto disse que prefere concentrar seus esforços naquilo que tem interesse em criar. Dessa forma, evita conduzir a história apenas com base nas expectativas ou opiniões dos leitores.
Chainsaw Man foi publicado entre dezembro de 2018 e março de 2026. A Parte 1 saiu na revista semanal Shonen Jump, enquanto a Parte 2 foi lançada pelo aplicativo Shonen Jump+. A Shueisha reuniu os 232 capítulos em 24 volumes, e a série ultrapassou 36 milhões de cópias em circulação. No Brasil, a publicação fica a cargo da Panini.
A entrevista foi realizada para promover We Are Aliens, animação franco-japonesa com estreia prevista nos cinemas do Japão para sexta-feira, 25 de setembro. O filme também integrou a seleção da Quinzena dos Realizadores da 79ª edição do Festival de Cannes e competiu no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy 2026. O relato de Fujimoto ajuda a entender como a imprevisibilidade, normalmente vista como um risco na produção semanal, se tornou parte importante da identidade de seu trabalho.

