O final de Chainsaw Man, lançado em março, deixou parte dos fãs confusa sobre o significado do desfecho. Agora, Tatsuki Fujimoto explicou como trabalha na série e revelou que o encerramento nasceu de um processo muito menos planejado do que muitos leitores poderiam imaginar.

Durante uma conversa, o autor afirmou que não consegue estruturar completamente o enredo antes de começar a desenhar os capítulos semanais. A rotina apertada de produção, com 19 páginas precisando ser entregues em apenas sete dias, reduz consideravelmente o tempo disponível para planejar cada acontecimento.
“Quando tens de desenhar 19 páginas em 7 dias, não tens tempo para escrever o enredo primeiro. Quando faço one-shots, escrevo o enredo antes de fazer os esboços, mas numa série não há tempo para isso. Passo diretamente para os esboços”, explicou Fujimoto.
Segundo o mangaká, os prazos fazem com que ele precise confiar nos próprios personagens e seguir as ideias que surgem durante o processo. Em vez de tentar controlar completamente os rumos da história, Fujimoto disse que acabou aceitando o caos como parte da criação.
“És perseguido por tantos prazos que não tens escolha a não ser confiar nos personagens e agarrar o que está mais próximo de ti”, afirmou o autor.
Fujimoto também declarou que gosta de trabalhar com situações fora de seu controle. Para ele, perder o luxo de pensar excessivamente em cada detalhe é uma consequência natural de produzir uma série nesse ritmo. O autor acrescentou que, para sobreviver a esse tipo de rotina, é preciso simplesmente confiar nos personagens e acompanhar o fluxo da narrativa.
A declaração ajuda a entender por que o encerramento pode parecer tão aberto ou desconcertante para alguns leitores. A intenção, aparentemente, não era entregar uma conclusão planejada para amarrar todos os significados de Chainsaw Man ou garantir uma resposta capaz de satisfazer o público.
Na prática, Fujimoto parece ter abraçado justamente a falta de controle que marcou sua produção. Essa escolha explica por que o final provoca interpretações tão diferentes: em vez de oferecer uma resolução confortável, a obra mantém o caráter imprevisível que acompanhou seu desenvolvimento.
