Studio Ghibli diz que IA não consegue copiar Miyazaki

O Studio Ghibli decidiu não reagir publicamente à onda de imagens geradas por inteligência artificial que imitavam sua estética porque acreditava que o interesse do público desapareceria rapidamente. A avaliação foi feita por Toshio Suzuki, produtor e cofundador do estúdio, em entrevista ao jornal japonês Asahi Shimbun publicada em 6 de setembro de 2026.

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Segundo Suzuki, o estúdio recebeu inúmeros pedidos de entrevista quando as imagens começaram a viralizar, mas optou por não comentar o assunto. Para ele, a tendência seria passageira — uma previsão que, em sua avaliação, acabou se confirmando. A febre perdeu força depois de dominar as redes sociais em março de 2025, quando uma ferramenta de geração de imagens integrada ao ChatGPT passou a transformar fotos, memes e outras cenas em ilustrações semelhantes às produções do Ghibli.

Apesar de reconhecer que sistemas de IA conseguem reproduzir determinados elementos visuais com facilidade, Suzuki afirmou que os resultados são rapidamente identificados como limitados por pessoas familiarizadas com animação. Na visão do produtor, copiar a aparência de uma obra não equivale a reproduzir o processo artístico que deu origem a ela.

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Suzuki também comparou o funcionamento da inteligência artificial ao método adotado por Hayao Miyazaki durante a produção de O Menino e a Garça. Enquanto sistemas generativos analisam grandes volumes de informação para encontrar padrões, Miyazaki teria seguido uma direção oposta, afastando-se deliberadamente de referências externas. Isso teria incluído reduzir o contato com jornais, televisão, dispositivos eletrônicos e outras formas de comunicação para trabalhar principalmente a partir de suas próprias experiências e ideias.

O produtor chegou a dizer que Miyazaki sequer sabe exatamente o que é inteligência artificial generativa. A afirmação reforça a ideia de que a identidade visual do diretor não depende apenas de técnicas ou referências que possam ser processadas por uma máquina, mas de uma trajetória criativa difícil de reproduzir.

A discussão ganhou força em 2025, quando até Sam Altman, CEO da OpenAI, alterou temporariamente sua foto de perfil para uma imagem inspirada no visual do Studio Ghibli. Na época, a OpenAI afirmou que bloqueava pedidos para copiar diretamente o estilo de artistas vivos, mas permitia solicitações relacionadas a estilos mais amplos de estúdios.

O fenômeno também levantou dúvidas sobre direitos autorais. Especialistas ouvidos pela Associated Press apontaram que um estilo artístico, isoladamente, geralmente não é protegido, embora elementos específicos e reconhecíveis de obras possam tornar a análise jurídica mais complexa.

As declarações de Suzuki ainda ajudam a separar essa tendência de uma crítica anterior feita por Miyazaki. Em 2016, o diretor chamou de “insulto à própria vida” uma demonstração de animação por IA que apresentava movimentos grotescos de uma criatura. A reação ocorreu diante de um experimento específico e não tratava diretamente das imagens ao estilo Ghibli que viralizaram anos depois.

A posição apresentada por Suzuki é clara: para o Studio Ghibli, a IA pode reproduzir traços superficiais, mas não substitui a experiência, as escolhas e a visão artística que tornam o trabalho de Miyazaki reconhecível.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.