Quando a Netflix anunciou The One Piece em dezembro de 2023, a promessa era clara: entregar a história de Luffy com pacing correto e animação moderna desde o início, corrigindo um dos maiores problemas históricos do anime original. Após anos de silêncio, o remake finalmente ganhou data de estreia: fevereiro de 2027, com uma primeira leva de sete episódios cobrindo 50 capítulos do mangá. E é exatamente aí que o problema começa.
Três anos e dois meses de produção para sete episódios já seria um ritmo lento por qualquer métrica. Mas o contexto fica ainda mais desfavorável quando comparado ao avanço da série live-action. A primeira temporada de One Piece Live-Action adaptou mais de 50 capítulos, e a segunda temporada, lançada pouco mais de dois anos depois, cobriu mais de 150 capítulos no total. Uma terceira temporada já está em produção com previsão para o ano que vem.
A ironia do projeto criado para resolver o pacing

Se The One Piece mantiver o ritmo de 50 capítulos por ano, cobrir os mais de 1.000 capítulos do mangá de Eiichiro Oda levaria aproximadamente duas décadas. O projeto criado especificamente para resolver os problemas de pacing do anime original corre o risco de se tornar ele próprio um exercício de lentidão, só que desta vez intencional.
O cenário mais irônico é perfeitamente plausível: a adaptação live-action pode concluir sua história antes que o remake sequer chegue à metade da jornada. Se a série com atores reais optar por um final original nas próximas temporadas para não ficar presa à indefinição do mangá, The One Piece chegaria tarde demais para cumprir sua função central.
Isso não significa que o remake seja sem valor. Para novos espectadores que descobrirão a franquia daqui a dez ou quinze anos, The One Piece pode ser o ponto de entrada ideal: animação de qualidade, sem filler, sem episódios de recapitulação. Mas para a geração atual de fãs que aguardou o projeto com expectativa desde 2023, a perspectiva de acompanhar um remake que levará décadas para terminar é, no mínimo, desanimadora.


