A revelação completa de Imu em One Piece reacendeu um debate antigo entre os fãs: por que a entrada do vilão final funciona tão bem enquanto a de Kaguya Otsutsuki em Naruto até hoje divide opiniões? A comparação é inevitável, já que os dois personagens ocupam posições estruturalmente semelhantes em suas respectivas séries.
Tanto Imu quanto Kaguya são chefes finais inesperados com poderes que rompem a escala estabelecida pela narrativa. A diferença está em como cada autor chegou a esse ponto. Em Naruto, Kaguya surge abruptamente no momento em que Madara Uchiha, construído durante anos como o antagonista principal, estava no auge de seu poder como Jinchuriki das Dez Caudas. Sem preparação narrativa ou menções anteriores, Kaguya sela Madara e assume o papel de vilão final, deixando boa parte do público sem a base emocional necessária para o impacto pretendido.
Como Oda preparou Imu desde o início

Imu, por outro lado, foi sendo construído silenciosamente por Eiichiro Oda ao longo de anos. Já no capítulo 761, Doflamingo menciona um Tesouro Nacional no coração de Marie Joise, referência direta ao personagem. Imu apareceu brevemente mas de forma significativa em momentos estratégicos da narrativa, sempre conectado ao Governo Mundial, ao Século Sombrio e à figura de Joy Boy. Quando o capítulo 1179 finalmente revelou seu rosto completo, os fãs já tinham uma estrutura de lore para contextualizar o momento.
Outra diferença fundamental está na relação com o protagonista. Kaguya existia em uma linha do tempo anterior a Naruto, e Kishimoto precisou forçar uma conexão retroativa entre os dois. Oda fez o oposto: construiu Luffy como a resposta natural a Imu, inserindo o capitão dos Chapéus de Palha dentro da própria história do vilão por meio das narrativas de Joyboy e Nika.
A revelação de Imu também abre novas camadas de mistério sobre o Governo Mundial, o Século Sombrio e as origens do mundo de One Piece, enquanto a entrada de Kaguya essencialmente confirmou uma história que os leitores já conheciam pelo arco de Hagoromo. Um abre portas, o outro confirma o que já estava na mesa.


