Eiichiro Oda construiu One Piece ao longo de quase três décadas com uma característica que poucos autores conseguem sustentar: a capacidade de plantar sementes narrativas que só germinam anos depois. Com a revelação do design de Imu no capítulo 1179, a comunidade voltou os olhos para um elemento que estava em cena há algum tempo: o mural de Elbaph, e o que ele pode estar antecipando sobre a Guerra Final.
A teoria é direta em sua premissa. O mural não seria apenas um registro histórico de um conflito passado, mas simultaneamente um registro e uma planta do que está por vir. Oda já usou esse recurso antes: a história de One Piece se repete, especialmente quando suas verdades são suprimidas pelo Governo Mundial.
O que o mural mostra e por que isso importa

À primeira leitura, o mural apresenta uma batalha em escala massiva com representantes de praticamente todas as raças do universo de One Piece. O detalhe que muda tudo não é a presença dessas raças, mas a forma como estão retratadas: unidas, lutando como uma única força contra um inimigo comum.
Isso contrasta diretamente com o estado atual do mundo na série. Os Homens-Peixe sofrem discriminação histórica. As diferentes nações raramente cooperam. As alianças são frágeis e motivadas por interesse. E ainda assim o mural mostra exatamente o oposto, uma coalizão de raças diversas combatendo ombro a ombro.
Luffy, sem perceber, vem construindo exatamente isso ao longo de toda a série. Cada ilha que ele visitou, cada tirania que derrubou, cada aliado que ganhou sem pedir, forma a rede que o mural pode estar antecipando. Quando o momento certo chegar, toda essa rede pode se converter na força unificada representada na imagem.
Quem é o inimigo na sombra

O ponto de maior debate na teoria é a identidade do antagonista retratado no mural. A silhueta escura e de aparência demoníaca pode ser Imu, especialmente após o capítulo 1179 mostrar sua forma verdadeira com chifres e traços sobrenaturais. Mas parte da comunidade aponta Barba Negra como candidato, considerando a trajetória de Marshall D. Teach de acumular poder e Akuma no Mi ao longo da série.
O cenário mais perturbador que circula entre os fãs é a sobreposição dos dois: uma aliança ou até uma forma de possessão entre Imu e Barba Negra, o que explicaria por que o mural mostra apenas um inimigo esmagador representando controle e caos absolutos.
As Armas Antigas e o ciclo que se fecha
O mural também parece fazer referências ao dilúvio e à arca de Noé, elementos que Oda não incluiria sem intenção de retomá-los. A leitura mais elaborada da teoria sugere que a Guerra Final envolverá as três Armas Antigas em ação simultânea: Poseidon, ou seja Shirahoshi, comandando os Reis do Mar; Pluton redesenhando a terra; e Uranus trazendo destruição do céu. A combinação não seria apenas uma batalha, mas uma reconstrução do próprio mundo.
Em One Piece, a história tende a se repetir quando suas verdades são enterradas. O Governo Mundial existe há 800 anos para garantir que certas memórias não sobrevivam. O mural de Elbaph pode ser a memória que não conseguiram apagar.


