One Piece construiu ao longo dos anos uma narrativa que vai muito além da aventura pirata e da amizade entre companheiros. A obra de Eiichiro Oda aborda temas políticos de forma constante, especialmente nos arcos mais recentes e na atual Saga Final, tornando-se possivelmente o shonen mais político já publicado.
Desde o início, o principal antagonista não é apenas um vilão isolado, mas uma estrutura global de poder: o Governo Mundial. A organização controla nações, manipula informações e apaga capítulos inteiros da história, como o Século Perdido. A execução dos estudiosos de Ohara e a censura do conhecimento histórico deixam claro que a trama trabalha diretamente com temas como controle estatal, autoritarismo e manipulação da verdade.
Governo Mundial e Século Perdido expõem poder e censura

O Governo Mundial protege os Dragões Celestiais, uma elite aristocrática que vive acima das leis e trata pessoas comuns como propriedade. A escravidão apresentada na obra não é simbólica, mas literal. Personagens são acorrentados, vendidos e explorados sob a justificativa de hierarquia social.
A presença de Imu como soberano oculto, governando nas sombras, reforça a crítica ao poder concentrado e não eleito. O fato de sua existência ser mantida em segredo amplia a dimensão política da narrativa, principalmente quando associada aos Cinco Anciões e às decisões globais que impactam todos os mares.
Colonialismo, racismo e revolução

Arcos como Ilha dos Homens-Peixe abordam diretamente discriminação racial e exclusão social. A população dos Homens-Peixe sofre perseguição e escravidão apenas por sua origem. O ciclo de ódio e ressentimento apresentado ali dialoga com conflitos históricos reais.
Já o arco de Wano representa isolamento político e dominação interna. O país fechado, controlado por uma liderança autoritária, reflete temas como ditadura e exploração econômica. A atuação do Exército Revolucionário liderado por Dragon simboliza movimentos de resistência contra regimes opressivos.
O impacto político de One Piece ultrapassou a ficção. Em protestos no Sudeste Asiático, a bandeira dos Chapéus de Palha foi usada como símbolo de liberdade e contestação. A ideia de liberdade defendida por Luffy tornou-se referência cultural.
One Piece não utiliza política apenas como pano de fundo ocasional. A estrutura de poder, desigualdade social e luta por liberdade são pilares centrais da obra, reforçando seu caráter político dentro do shonen.
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One Piece conta a história de Monkey D. Luffy, um jovem com poderes de borracha cujo sonho é tornar-se o Rei dos Piratas, e da tripulação deles, os Piratas do Chapéu de Palha.
Ao todo, o anime conta com mais de 1000 capítulos, e ainda é exibido no Japão, sendo uma das séries mais populares de todos os tempos.
De longe, uma das melhores características deste anime são as Sagas de One Piece, que constantemente puxam elementos introduzidos centenas de capítulos para trás e mostram como essa é uma história ambiciosa e bem pensada.
Atualmente, o anime está partindo para o arco de Egghead, após a conclusão de Wano e Luffy finalmente tornar-se um dos quatro Yonkou após vencer Kaidou em um combate épico.
A história de Luffy e seus amigos pode ser acompanhada na íntegra no Crunchyroll, em japonês com legendas em português ou na Netflix com as primeiras grandes sagas dubladas.

