Morreu na última sexta-feira, 26 de junho, o ator, dublador e locutor Figueira Júnior, aos 60 anos. Conhecido do público brasileiro por dar voz ao Androide 17 nas séries Dragon Ball, ele sofreu um infarto agudo do miocárdio, segundo comunicado publicado pela família no Instagram no sábado (27).
O texto divulgado pelos parentes informou que Figueira já enfrentava problemas cardíacos e destacou a trajetória marcada por talento, generosidade e alegria. A família também pediu respeito e privacidade para o momento de despedida, agradecendo as mensagens de carinho recebidas após a morte do artista.
Nascido em São Paulo, Figueira Júnior iniciou a carreira na dublagem em 1987, depois de passar em um teste da Álamo enquanto trabalhava no teatro. A estreia aconteceu no desenho franco-inglês Animais do Bosque dos Vinténs, exibido pela TV Cultura. Depois de uma pausa entre 1990 e 1994 para se dedicar a apresentações teatrais, ele voltou aos estúdios e seguiu ativo como dublador e diretor sem interrupções.
Entre os trabalhos mais lembrados da carreira está Fry, protagonista de Futurama, personagem que marcou sua passagem pela dublagem no fim dos anos 1990. No cinema, ele também dublou Jim, vivido por Jason Biggs, na versão para home video de American Pie. Já no universo dos animês, consolidou-se como a voz brasileira do Androide 17 a partir de Dragon Ball Z, papel que reprisou em Dragon Ball GT e Dragon Ball Super.
A lista de personagens de Figueira Júnior inclui ainda nomes como o protagonista de A Lenda do Demônio, Slash em Bucky, a primeira voz de Shadi em Yu-Gi-Oh!, Dr. Goodman em Flint, o Detetive do Tempo, Kazuki em GetBackers, Cain em Trinity Blood, Taki em SuperCampeões, Shintaro em InuYasha, Kain Fuery em Fullmetal Alchemist e Queen de Mandrágora em Os Cavaleiros do Zodíaco. Em 2011, ele também assumiu a dublagem do protagonista de Policial de Aço Jiban, em uma escolha feita por votação popular para completar os dois últimos episódios da série.
Nos últimos anos, Figueira seguia em atividade, inclusive em produções recentes como a nova versão brasileira de Toriko, na qual interpretou Tacchino. Ele também era tio de Daniel Figueira, dublador de Tanjiro em Demon Slayer.
As homenagens de colegas de profissão reforçaram o peso de sua presença no meio. Tânia Gaidarji, voz de Bulma, publicou que visitou o amigo dias antes da cirurgia que faria e lembrou da força que ele lhe transmitiu naquele encontro. Wendel Bezerra também se manifestou nas redes, assim como a Associação Brasileira de Dubladores, que destacou o legado deixado por Figueira em obras como Futurama e Dragon Ball. A morte de Figueira Júnior encerra uma trajetória importante da dublagem brasileira, especialmente para quem cresceu ouvindo sua voz em personagens que atravessaram gerações.

