Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou o processo de um homem de Iowa contra a Nintendo e a The Pokémon Company após ele não conseguir obter a certificação oficial de “Professor Pokémon”. Kyle Owens, de 34 anos, pedia pelo menos US$ 341 mil em indenização, além da certificação e do acesso às ferramentas necessárias para organizar eventos oficiais.
Owens entrou com a ação em maio de 2026, alegando que as empresas teriam violado leis federais antitruste ao impedi-lo de se tornar um Professor Pokémon. Segundo o processo, ele teria obtido 100% de aproveitamento na prova de certificação em março de 2024.
A aprovação no exame, porém, não garantia automaticamente a certificação. O programa exige que os candidatos também passem por uma verificação de antecedentes, e foi nesse processo que Owens teve sua candidatura rejeitada.
De acordo com documentos apresentados à Justiça, a verificação apontou três acusações registradas na Pensilvânia em 2022, relacionadas a conduta desordeira, uma infração envolvendo armas e dano criminal. Os registros indicavam ainda mandados pendentes por falta de comparecimento à Justiça.
Owens argumentou que as acusações não resultaram em condenações e afirmou que a Pokémon teria mudado a justificativa apresentada para negar sua certificação. Ele também alegou que a decisão prejudicou oportunidades comerciais relacionadas à organização de eventos oficiais.
Juiz considera indenização de US$ 341 mil absurda
O juiz federal Leonard Strand rejeitou o processo em 1º de setembro, concluindo que Owens não apresentou uma reivindicação legal válida. Na decisão, o magistrado classificou o pedido de indenização de US$ 341 mil como questionável e considerou a alegação de danos “absurda”.
Strand também rejeitou o argumento baseado nas leis antitruste. Para o juiz, exigir uma verificação de antecedentes de voluntários envolvidos com um produto voltado, em parte, ao público infantil é uma medida razoável e não configura prejuízo à concorrência.
O programa de Professores Pokémon é formado por voluntários que podem receber benefícios como produtos promocionais, prêmios e pontos para utilização na Professor Store. A certificação também permite que participantes organizem eventos oficiais do Pokémon Trading Card Game.
Além das alegações antitruste, Owens havia apresentado outras acusações, incluindo quebra de contrato implícito, promissory estoppel e interferência em possíveis oportunidades comerciais. Todas foram rejeitadas pelo tribunal.
A decisão também revelou que Owens havia apresentado quatro processos federais em poucos meses, sem conseguir estabelecer reivindicações consideradas válidas. Strand alertou que novos processos considerados infundados poderão resultar em sanções financeiras, começando pela cobrança da taxa padrão de ajuizamento e aumentando caso o comportamento continue.

