Hayao Miyazaki continua desenhando aos 85 anos, e Goro Miyazaki afirmou esperar que o pai nunca pare. A declaração foi dada durante uma prévia de imprensa da nova exposição do Ghibli Park, no Japão, e reforça que o cofundador do Studio Ghibli ainda mantém uma rotina criativa ativa, mesmo com décadas de carreira e um Oscar no currículo.
Segundo Goro, o trabalho do pai segue em andamento e novas ilustrações continuam sendo produzidas. Em tom bem-humorado, ele comentou que chega a pensar: “Vamos, já chega”, mas em seguida disse que espera que Miyazaki continue desenhando “até o dia em que morrer”. A fala chamou atenção justamente por misturar brincadeira e admiração diante da longevidade artística do diretor.
O contexto da revelação é a Panorama Box Exhibition, mostra inaugurada em 8 de julho no Ghibli Park. A exposição reúne 31 caixas panorâmicas artesanais criadas por Hayao Miyazaki ao longo de três anos. Cada peça usa camadas de ilustrações para formar cenas em profundidade, em uma técnica inspirada nos artesanatos de papel que ele apreciava na infância.
Os trabalhos exibidos trazem imagens ligadas a filmes como Nausicaä of the Valley of the Wind, Kiki’s Delivery Service, Howl’s Moving Castle e The Boy and the Heron, além de obras inéditas que nunca apareceram em produções do estúdio. Goro Miyazaki explicou que parte das novas imagens criadas pelo pai já passou do espaço físico das caixas, o que levou as peças a ganharem um formato mais livre, quase como “caixas panorâmicas sem moldura”.
O Ghibli Park, localizado no Japão, já abriga atrações inspiradas em títulos como My Neighbor Totoro, Spirited Away e Princess Mononoke. Para Goro, a nova exposição também funciona como uma porta de entrada para o público mais jovem conhecer o catálogo do estúdio. Ele destacou que muitos dos filmes mais antigos já não são tão familiares para as crianças de hoje, e que seria positivo se a mostra despertasse essa curiosidade.
A notícia sobre Miyazaki reforça algo que sua trajetória já deixou claro há muito tempo: ele segue ligado ao desenho como parte essencial da própria identidade artística. Mesmo aos 85 anos, o cineasta não parece disposto a abandonar o papel e o lápis, e isso diz muito sobre a força do legado que ainda está sendo construído em tempo real.


