O governo do Japão voltou a pedir que os Estados Unidos deixem de usar personagens como Mario, Pokémon e Naruto em publicações oficiais nas redes sociais. Segundo a IGN, autoridades japonesas afirmam que o uso não autorizado dessas franquias pode prejudicar sua imagem e viola princípios de direitos autorais.
Desde março, o Ministério das Relações Exteriores do Japão tem criticado repetidamente o uso de personagens de animes e jogos em postagens da administração Trump. De acordo com a publicação, os pedidos ganharam força após protestos e petições organizadas por fãs japoneses, que cobraram uma posição oficial sobre o tema.
Segundo a IGN, contas oficiais do governo americano, incluindo a da Casa Branca no X, publicaram memes e vídeos utilizando personagens de franquias populares como Mario, Pokémon e Naruto, além de imagens de jogos como Wii Sports, sem autorização dos detentores dos direitos. Em abril, o então ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, declarou no parlamento que era “inapropriado até mesmo para instituições públicas reproduzir materiais protegidos por direitos autorais sem o consentimento dos titulares”.
O caso voltou a ganhar destaque em junho. Segundo o jornal Mainichi Shimbun, citado pela IGN, o governo japonês fez novos pedidos à administração dos Estados Unidos por meio da embaixada americana no Japão, alertando que o uso dessas propriedades intelectuais em conteúdos relacionados a políticas públicas e temas militares pode causar danos às franquias.
A reportagem também lembra que outras publicações anteriores geraram controvérsia. Em 2025, o Departamento de Segurança Interna dos EUA utilizou Ash Ketchum e a música-tema de Pokémon em um vídeo sobre operações do ICE. Já neste ano, a Casa Branca publicou vídeos com cenas de Wii Sports, Halo, Yu-Gi-Oh!, Dragon Ball, Top Gun, Homem de Ferro e Coração Valente misturadas a imagens militares. Empresas e representantes ligados a algumas dessas franquias criticaram o uso sem autorização.
Outro episódio citado pela IGN ocorreu quando Donald Trump compartilhou nas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial em que aparecia caracterizado como Naruto. A publicação reacendeu protestos no Japão e levou organizadores de uma petição a retomarem a campanha em defesa das propriedades intelectuais japonesas. Posteriormente, a ministra Kimi Onoda reforçou que obter autorização dos detentores dos direitos é um princípio básico e afirmou que essa posição foi comunicada diversas vezes ao governo americano por canais diplomáticos.
O caso mostra como personagens de jogos e animes podem ultrapassar o entretenimento e se tornar parte de debates diplomáticos. Para o governo japonês, o problema não é apenas o uso sem licença, mas também a associação dessas franquias a mensagens políticas e militares, algo que, segundo as autoridades, pode afetar a imagem construída por seus criadores ao longo de décadas.

