O que começou como uma tendência aparentemente inofensiva nas redes sociais se transformou em uma grande polêmica no mundo da animação. A recente onda de imagens geradas por inteligência artificial com “estilo Ghibli” vem sendo duramente criticada por artistas, animadores e diretores, e agora foi a vez de Megumi Ishitani, diretora de One Piece, se pronunciar contra o uso da IA para replicar a arte do lendário Hayao Miyazaki.
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Conhecida por dirigir o especial One Piece: Fan Letter e alguns dos episódios mais elogiados do anime, Ishitani usou seu perfil na rede social X (antigo Twitter) para expressar seu descontentamento com o uso indevido da estética Ghibli em imagens geradas por IA. Em um dos posts mais diretos, a diretora escreveu:
“Vocês mancharam Ghibli. Nunca vou perdoar isso.”
Megumi Ishitani pede ação legal contra uso de IA com arte de Ghibli
日本人でもジブリAI使ってるやついんの!?
絶望だ…
ジブリのブランド価値を落としかねない行為なのに— 䂖谷牛乳 (@ishigyunyu) April 2, 2025
Em outra publicação, Ishitani reforça seu pedido por providências legais:
“Quero que medidas legais sejam tomadas. Não suporto ver o Ghibli sendo tratado de forma tão barata.”
A situação piorou ainda mais quando usuários passaram a enviar à diretora imagens geradas por IA com o seu rosto em estilo Ghibli. Sua resposta foi curta e contundente:
“Acho isso realmente horrível.”
A indignação de Ishitani reflete o sentimento de muitos profissionais da indústria. Criar até mesmo um especial de curta duração como One Piece: Fan Letter pode levar meses de trabalho árduo. Assim, é natural que a replicação automatizada da estética criada por Hayao Miyazaki e pelo Studio Ghibli cause revolta.
Diretora questiona se japoneses também estão aderindo à tendência
ジブリを汚しやがって…許さん……
— 䂖谷牛乳 (@ishigyunyu) April 1, 2025
Em outra publicação, Ishitani expressa preocupação ao perguntar:
“Há japoneses usando Ghibli IA? Estou em desespero… Esse tipo de ação pode manchar o valor da marca Ghibli.”
A diretora ainda questiona como isso foi permitido, deixando claro que o estúdio nunca teria autorizado esse tipo de uso, o que torna a prática uma clara violação dos direitos autorais e da identidade artística da marca.
A luta da indústria do anime contra a inteligência artificial
Infelizmente, como aponta a diretora, ainda há pouca proteção legal para artistas de anime e mangá contra o uso indevido de seus trabalhos por IA. A situação piorou quando a própria rede X atualizou seus termos permitindo que conteúdo publicado possa ser utilizado para treinar modelos de IA por terceiros.
Embora criadores como Hirohiko Araki já tenham se manifestado contra o uso de IA, outros como Eiichiro Oda adotaram uma postura mais neutra. Um exemplo recente foi o lançamento do app One Piece Base, que inclui um gerador de retratos com IA — mas feito com permissão expressa do autor.
É justamente essa questão de consentimento que Megumi Ishitani defende com firmeza. Para ela, o uso não autorizado da estética de Ghibli por inteligência artificial diminui o valor artístico da obra e desrespeita o legado de Miyazaki.
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One Piece conta a história de Monkey D. Luffy, um jovem com poderes de borracha cujo sonho é tornar-se o Rei dos Piratas, e da tripulação deles, os Piratas do Chapéu de Palha.
Ao todo, o anime conta com mais de 1000 capítulos, e ainda é exibido no Japão, sendo uma das séries mais populares de todos os tempos.
De longe, uma das melhores características deste anime são as Sagas de One Piece, que constantemente puxam elementos introduzidos centenas de capítulos para trás e mostram como essa é uma história ambiciosa e bem pensada.
Atualmente, o anime está partindo para o arco de Egghead, após a conclusão de Wano e Luffy finalmente tornar-se um dos quatro Yonkou após vencer Kaidou em um combate épico.
A história de Luffy e seus amigos pode ser acompanhada na íntegra no Crunchyroll, em japonês com legendas em português ou na Netflix com as primeiras grandes sagas dubladas.