Goro Taniguchi, diretor de One Piece Film RED, Code Geass e L’étoile de Paris en fleur, criticou publicamente o estado atual da indústria de animação japonesa durante uma palestra realizada no dia 26 de maio de 2026 na Universidade Keio, em um evento promovido pela produtora ARCH. Segundo Taniguchi, o setor enfrenta uma falha estrutural grave marcada pela ausência de supervisão direta dos diretores e pelo colapso do sistema tradicional de aprendizado, resultando no que ele classificou como produções de “junk food”.
O cineasta argumentou que a falta de diretrizes claras faz com que diferentes setores do processo de animação operem de forma isolada. Como exemplo, o diretor mencionou profissionais de fotografia, conhecidos como DoPs, que exibem em redes sociais comparações de cenas antes e depois de suas edições. Para Taniguchi, esse hábito é embaraçoso, pois muitas vezes o resultado final apresentado pelos técnicos não é uma escolha estética do diretor, mas sim uma correção necessária devido a falhas nos materiais brutos recebidos. Ele reforçou que o fluxo correto deveria ser o mapeamento da visão criativa pelo diretor desde o início, instruindo os DoPs conforme esse plano, e não a colagem desconexa de processos individuais que, embora pareçam bons isoladamente, carecem de unidade.
A fragmentação causada pelas temporadas curtas

Um dos pontos centrais abordados pelo diretor durante os 90 minutos de conversa com estudantes foi a transição dos modelos de exibição nas últimas décadas. Taniguchi observou que, por volta de 2005, houve um aumento expressivo nas séries de apenas uma temporada, com 11 a 13 episódios, substituindo o padrão anterior de dois blocos de exibição.
De acordo com o relato publicado pelo jornal Asahi Shimbun, essa mudança impactou diretamente a formação de novos talentos:
- O formato de uma temporada limita a participação de um membro da equipe a, no máximo, três episódios.
- Três episódios são insuficientes para que um profissional adquira aprendizado prático.
- O sistema de treinamento interno das equipes entrou em colapso devido à falta de continuidade.
Taniguchi ressaltou que poucas empresas conseguiram mitigar esse problema, destacando estúdios que mantêm produções de longa duração voltadas ao público infantil, como Toei Animation, TMS Entertainment e Shin-Ei Animation. O repórter Atsushi Ohara, presente na palestra, interpretou o termo “junk food” utilizado pelo diretor como uma referência a animes que, apesar de estimulantes visualmente, carecem de individualidade, coerência e uma visão artística coesa que ligue todos os elementos da produção. A necessidade de adaptação rápida ao mercado de temporadas curtas parece ter sacrificado a mentoria, deixando diretores e seus assistentes sem tempo hábil para trocas de feedback efetivas.
Fonte: Animecorner

