O presidente da Crunchyroll, Rahul Purini, reafirmou em entrevista ao Radio Times a postura da empresa contra o uso de inteligência artificial (IA) nos processos criativos de anime, mas reconheceu que a tecnologia pode ser utilizada para aprimorar recomendações e personalização na plataforma de streaming. Segundo Purini, evitar a IA na produção audiovisual “não é tão difícil” quando há preocupação com a autenticidade do trabalho dos criadores.
Purini destacou que a Crunchyroll mantém critérios claros sobre o uso da IA para garantir que as histórias sejam contadas da forma que os autores desejam, preservando a integridade de suas obras. “Sempre dissemos que a autenticidade do criador é muito importante para nós. Queremos que eles contem suas histórias do jeito que querem, usando a tecnologia que escolherem, mas respeitando a intenção do criador. Por isso, não usamos IA em nosso processo criativo, seja na legendagem ou na dublagem”, explicou o executivo.
Uso restrito de IA focado na experiência do espectador

Embora o executivo tenha indicado que a Crunchyroll não rejeita totalmente produções que utilizaram IA, ele frisou que o foco da empresa é aplicar a inteligência artificial para melhorar funções que aumentem o engajamento com os fãs. Purini citou que a empresa avalia como a IA pode ajudar na descoberta de conteúdos e na personalização do serviço, criando uma experiência mais adaptada ao gosto de cada usuário.
Recentemente, o uso da IA no mundo do anime suscitou polêmicas. A Amazon, por exemplo, enfrentou críticas por ter implementado uma dublagem em inglês baseada em IA para a série Banana Fish e divulgações relacionadas à expansão dessa tecnologia na dublagem. Em outro caso, o estúdio Wit Studio pediu desculpas após usar IA na produção de Ascendance of a Bookworm. A própria Crunchyroll foi alvo de atenção quando uma legenda em alemão do serviço incluiu uma referência ao ChatGPT no ano passado.
Em meio à discussão, a atriz de voz Kayleigh McKee reforçou a importância das performances humanas, destacando que “nada jamais poderá replicar a singularidade da condição humana e a nuance envolvida, e seria arrogante acreditar que isso pode ser criado artificialmente em tão pouco tempo”.
Fonte: Gamesradar+


