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Cavaleiros do Zodíaco do Netflix é melhor que o original? Confira a nossa crítica

Os Cavaleiros do Zodíaco são o anime que basicamente abriu o mercado de animações japonesas aqui no Brasil, e certamente estão num lugar especial no coração de muita gente que era criança na década de 90. Apesar do sucesso imenso que a franquia fez aqui no Brasil, curiosamente ela só é grande aqui no Brasil, no Japão e em mais alguns outros países do mundo, e os Estados Unidos estão fora dessa.

Exatamente por isso, Cavaleiros do Zodíaco está ganhando este remake do Netflix, concebido por um americano e com o público alvo infantil, e não do fã das antigas. Levando tudo isso em consideração, será que o novo Cavaleiros do Zodíaco é bom? E se ele é bom, ele supera o original? Hoje, vamos responder a estas duas perguntas.

Vamos começar pelo elefante na sala: Cavaleiros do Zodíaco do Netflix não é ruim, mas está longe de ser realmente bom. Eu admito que estava com uma péssima impressão da série após o primeiro trailer liberado pela Netflix há alguns meses, mas no fim das contas a culpa era do trailer ser extremamente mal feito, já que ele passava a impressão da série ser totalmente mal animada.

No fim das contas, exceto pelo primeiro episódio, Saint Seiya do Netflix acaba trazendo belas animações e gráficos tridimensionais que vão deixar mesmo os fãs mais antigos e chatos satisfeitos. O motivo do 3D ter sido escolhido para o remake provavelmente tem a ver com o fato das crianças americanas preferirem animações tridimensionais hoje em dia, mas isso também serve para cortar custos, afinal de contas, o gasto todo é em fazer os modelos, a animação deles em si é bem mais tranquila de se fazer, e com isso a Netflix garante que os próximos episódios e temporadas vão custar bem menos que a original.

A história original de Saint Seiya recebeu uma série de modificações neste remake, sendo uma das principais do fato de que Mitsumasa Kido tinha um parceiro quando eles encontraram Aioros e a Deusa Athena ainda como um bebê: Vander Gourad. Este parceiro de Kido tinha uma visão diferente da dele, ele achava que os humanos não deviam se curvar aos deuses, e assim ele começou a pesquisar formas de replicar a força dos Cavaleiros com a Ciência.

Com isso, os parceiros acabam entrando em conflito entre si e o enfrentamento entre eles é só questão de tempo. Gourad tem como objetivo exterminar os Cavaleiros e a Deusa Athena, e para isso ele usa tropas militares, além do Cavaleiro de Fênix e os Cavaleiros Negros, que neste remake são algo como os Cavaleiros de Aço eram no Saint Seiya original (vale lembrar que os Cavaleiros de Aço foram criados exclusivamente para o anime), ou seja, o poder deles vem da ciência, e não do Cosmo.

Pois bem, o anime começa com Seiya e Seika, a irmã de Seiya, sendo atacados pelas forças de Gourad e sendo salvos por ninguém menos que Aioria de Leão. Seiya então passa a procurar a irmã dele, e descobre, por meio de Mitsumasa Kido, que ela foi parar no Santuário, e que se ele quisesse encontrá-la, ele deveria tornar-se um cavaleiro também.

Depois de todo o treinamento de Seiya, o anime já corta direto para a Guerra Galáctica, que desta vez é um torneio “underground” com o objetivo de escolher os novos Cavaleiros de Athena, ao invés de uma competição para ver quem iria ganhar a Armadura de Sagitário.

Aqui, infelizmente o anime do Netflix começa a mostrar-se inferior à versão original pelo simples motivo de que a história perde tempo demais em combates não interessantes e piora todos os combates épicos do primeiro arco do anime.

Uma mudança positiva da nova versão é o fato de que os cavaleiros realmente lutam entre si, e não ficam apenas naquela de “vou te vencer com a minha técnica secreta, o mesmo golpe não funciona duas vezes com um cavaleiro, o cosmo do cavaleiro queima a milhão e o golpe funciona sim duas vezes”, há troca de socos e afins, mas por ser um desenho para crianças, as lutas acabaram sendo muito simplificadas, e nem parece que os Cavaleiros estão passando por situações de vida ou morte nas lutas.

O maior exemplo disto é a luta entre Shiryu e Seiya, que é uma das melhores do anime clássico. No novo anime, não há a cena clássica das armaduras de Pégaso e de Dragão se esfacelando, não há o combate de Seiya e Shiryu sem armadura, nem nada disso, Seiya apenas descobre o ponto fraco do Cólera do Dragão e enfia Meteoros a torto e direito no coração do Shiryu, acabando com todo o impacto que a luta original tinha.

Depois disso, o anime perde um bom tempo dos episódios com combates contra helicópteros e tanques de guerra enviados por Vander Gourad para exterminá-los. Infelizmente, estas lutas contra tropas de verdade acabam ocupando a maior parte dos combates do anime, que acelerou um monte de partes da trama original (para que uma história que levava 19 capítulos do mangá e 15 do anime coubesse em 6 episódios do novo anime) para adicionar apenas conteúdos que não tinham a mesma graça.

As lutas contra os Cavaleiros Negros e também contra Ikki de Fênix acabaram ficando bem sem graça, e só passaram a impressão de que os Cavaleiros de Bronze são muito fracos. Vai ser, no mínimo, curioso ver como eles vão lidar com os Cavaleiros de Prata, que serão os adversários deles na segunda parte da temporada (já que a Netflix só lançou seis capítulos agora e promete o resto da temporada para sabe-se lá quando).

Até há alguns momentos interessantes originais deste novo anime, como a discussão de Seiya com o Bueiro (algo que provavelmente vai fazer sucesso entre a criançada) mas mesmo assim, num anime que é focado em combates ter todos os combates piorados, infelizmente o resultado acaba sendo inferior.

Um ponto que havia gerado uma discussão gigantesca no anúncio do remake era o fato de Shun ser uma mulher, mas no fim das contas isto não fez nenhuma diferença no anime, já que a personagem Shaun faz exatamente o que Shun fez nos Cavaleiros Originais, apenas de gênero trocado.

Para completar, outro detalhe que me incomodou também foi o fato de que a dublagem em japonês não está disponível, ou seja, o único idioma que vale a pena assistir estes novos cavaleiros é em português mesmo, já que as dublagens em inglês costumam ser terríveis.

No fim das contas, Cavaleiros do Zodíaco do Netflix tem seus pontos positivos, como a apresentação visual e a condensação de alguns pontos da história que não precisavam ter sido abordados, mas quase tudo o que este novo anime tenta recriar acaba inferior à versão original, principalmente os combates.

Respondendo à minha pergunta original: Cavaleiros do Netflix é bom? Olha, é melhor do que eu achei que fosse ser, mas pra bom não serve. Supera o original? Apenas na apresentação visual, no resto, é totalmente inferior.

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Resumo para os preguiçosos

Cavaleiros do Netflix é bom? Olha, é melhor do que eu achei que fosse ser, mas pra bom não serve. Supera o original? Apenas na apresentação visual, no resto, é totalmente inferior.

Nota final

50
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Bela apresentação visual
  • Uma nova tentativa de tornar os cavaleiros populares em mercados onde isso nunca aconteceu

Contras

  • Batalhas inferiores às do anime original
  • Perda de tempo demais em lutas contra tanques e helicópteros
  • Não dá pra chamar seis capítulos de temporada
  • Sem a opção da dublagem em japonês
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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