Dragon Ball poderia voltar ao live-action seguindo o caminho de One Piece, cuja adaptação da Netflix mostrou que é possível transportar um anime de grande escala para a ação real sem abandonar a identidade da obra. A ideia, porém, dependeria de uma equipe criativa disposta a respeitar os pilares da franquia e a personalidade de seus personagens.

O principal obstáculo para esse retorno é Dragonball Evolution. Lançado há cerca de 17 anos e meio, o filme fracassou ao se afastar do material original. Goku foi apresentado como um personagem mais sério, com menos humor e características que, em alguns momentos, lembravam Vegeta. A produção também não reproduziu a combinação de comédia, aventura e batalhas de proporções cada vez maiores que define Dragon Ball.
One Piece oferece um exemplo diferente. A série encontrou em Iñaki Godoy um intérprete capaz de traduzir para a televisão o otimismo, a lealdade e o espírito exagerado de Monkey D. Luffy. Mesmo sendo um personagem cartunesco e com habilidades difíceis de adaptar, Luffy funciona porque sua essência foi preservada. A produção também fez alterações na ordem dos acontecimentos, como a apresentação antecipada de Monkey D. Garp como avô do protagonista, mas sem descaracterizar a história.

Esse equilíbrio seria fundamental para uma nova versão de Dragon Ball. Uma adaptação não precisa reproduzir cada episódio ou repetir todos os detalhes do anime. Filtros narrativos, mudanças de ritmo e ajustes na estrutura seriam inevitáveis, especialmente diante da quantidade de personagens e tramas da franquia. O que não poderia ser perdido é o jeito bem-humorado de Goku, sua bondade e a união entre momentos leves e conflitos capazes de ameaçar o mundo.
O histórico de outras franquias também mostra que um fracasso não precisa encerrar uma propriedade para sempre. Batman, por exemplo, encontrou uma nova direção depois de uma fase mal recebida. Para Dragon Ball, uma nova tentativa só faria sentido com roteiro, direção e elenco alinhados à visão original. One Piece não garante que a fórmula funcionaria, mas tornou mais difícil tratar o live-action de anime como uma aposta inviável por definição.
