Dandadan sempre foi celebrado como um dos melhores mangás da nova geração, e com razão. A combinação de arte deslumbrante, ação criativa e um romance central genuinamente envolvente colocou a obra de Yukinobu Tatsu num patamar raramente alcançado por séries em andamento. Mas a amnésia de Momo, introduzida nos capítulos mais recentes, está testando a paciência dos fãs de um jeito que poucos esperavam.
O estopim foi o desfecho do arco Danmara: Okarun confessou seu amor por Momo no capítulo 159, enquanto era separado dela pelo baú amaldiçoado. Ela pediu que ele repetisse a confissão quando tudo fosse resolvido. Depois disso, Momo voltou ao tamanho normal, mas com um custo devastador: sem nenhuma memória de tudo que aconteceu desde o encontro inicial com os alienígenas Serpo. De uma hora para outra, o romance mais aguardado do mangá foi reiniciado do zero.
O capítulo 210 trouxe uma das reviravoltas mais dolorosas da história recente do mangá: enquanto Okarun treina arduamente pensando em Momo e em tudo que viveram juntos, ela pode ter esquecido completamente dele. A ironia da situação até funcionaria se não fosse o timing extremamente frustrante para quem acompanha a série há anos.
O tropo que ninguém queria ver em Dandadan

Fãs de anime e mangá costumam considerar a amnésia um recurso ultrapassado, usado quando parece não haver mais ideias criativas. Ela estende a história sem acrescentar nada de novo, a um custo alto de qualidade narrativa. E Dandadan é exatamente o oposto disso — uma série conhecida por subverter expectativas e inovar.
Além da amnésia em si, o que mais incomoda os leitores é o que veio depois: momentos românticos entre Momo e Jiji, e entre Okarun e Aira, colocando de volta na mesa um quadrilátero amoroso que a série parecia ter superado. Para quem elogiava Dandadan justamente por fugir do drama desnecessário de ships, a escolha soou como um retrocesso consciente.
Com o arco da amnésia e o retorno dos romances paralelos de Jiji e Aira, a reputação de Dandadan entre os fãs atingiu seu pior momento. E num cenário em que o final controverso de Chainsaw Man reacendeu debates sobre mangás em andamento, muitos já estão descartando a série como uma causa perdida.
Ainda assim, há razões para não abandonar o barco. Yukinobu Tatsu, que foi assistente justamente em Chainsaw Man e Hell’s Paradise, nunca foi um autor que desperdiçou setup sem payoff. Dandadan tem um histórico de subverter o que parece óbvio. A questão é se o desembolso emocional que o arco está cobrando dos fãs vai ter um retorno à altura — e se as pessoas ainda vão estar dispostas a pagar essa conta quando chegar a hora.
