Por décadas, fãs de Serviço de Entregas da Kiki se perguntaram por que Jiji, o gato falante da jovem bruxa, nunca mais conseguiu se comunicar com ela ao fim do filme. Agora, 37 anos após o lançamento do clássico do Studio Ghibli, Toshio Suzuki, produtor e cofundador do estúdio, trouxe a resposta definitiva para essa questão que atravessou gerações de espectadores.
A explicação foi compartilhada pelo perfil oficial do Friday Roadshow, programa da Nippon TV conhecido por divulgar curiosidades e bastidores de filmes. A conta resgatou uma declaração de Suzuki que elucida o silêncio de Jiji de uma forma muito mais profunda do que a maioria das teorias dos fãs supunha: “Jiji não é apenas um animal de estimação, ele é outra versão de mim mesma. Falar com Jiji é como ter um diálogo consigo própria. O fato de ela não conseguir mais conversar com Jiji no final significa que ela não precisa mais desse alter ego; é um sinal de que agora ela consegue se virar sozinha na cidade de Koriko.”
O significado real por trás do silêncio de Jiji em Serviço de Entregas da Kiki
再び飛ぶことができるようになった #キキ🎀ですが、#ジジ🐈⬛は喋らないままです。実はキキ🎀の魔女の力が弱くなってしまったからではなく、キキが新たな一歩を踏み出したからこそ、ジジ🐈⬛が「ただの猫」に戻ったということなんです。
このことについて、#鈴木敏夫… pic.twitter.com/Ns2QtAhjFa— アンク@金曜ロードショー公式 (@kinro_ntv) May 8, 2026
A teoria mais popular entre os fãs era de que Kiki perdeu a capacidade de entender Jiji por ainda estar fraca, uma consequência da crise de confiança que a jovem bruxa atravessa durante a narrativa. A revelação de Suzuki inverte completamente essa leitura: o silêncio não é uma perda, mas uma conquista. Kiki cresceu, ganhou independência e não precisa mais de uma voz interna que a guie. Jiji permaneceu ao seu lado, chegou a se apaixonar por uma gata e formou sua própria família, mas a conexão sobrenatural entre os dois deu lugar a uma relação mais madura e silenciosa.
Esse tipo de simbolismo é exatamente o que coloca a filmografia do Studio Ghibli em outro patamar dentro da animação mundial. Dirigido por Hayao Miyazaki e lançado em 1989, o filme foi um marco importante para o estúdio num período em que ele ainda buscava se firmar financeiramente, depois de My Neighbor Totoro garantir sua viabilidade graças às vendas de merchandise em 1988.
Serviço de Entregas da Kiki segue sendo uma obra que ressoa com novas gerações. Em março deste ano, o filme estreou em IMAX pela primeira vez na América do Norte, tornando-se um grande sucesso de público novamente. A versão IMAX foi supervisionada pelo animador Atsushi Okui, profissional com décadas de atuação no Studio Ghibli como cinematografista e diretor de fotografia em títulos como Howl’s Moving Castle e The Boy and the Heron.


