Um pesquisador de segurança conhecido como TheFlow conseguiu rodar Linux no PlayStation 5, abrindo caminho para uma comparação inédita: jogos de PC via Steam rodando no hardware do console da Sony, medidos lado a lado com as versões nativas para PS5. Os resultados são surpreendentemente próximos na maioria dos casos, com a memória sendo o principal ponto de atrito.
O processo funciona por meio de um exploit existente para consoles PS5 de lançamento com firmware até a versão 4.5. Após preparar a imagem correta do Linux, executar o exploit e enviar o payload correto via computador, o console reinicia rodando Ubuntu 26.04 LTS a partir de um SSD ou pendrive USB. O sistema oferece acesso a todos os oito núcleos do processador Zen 2, à GPU completa de 36 unidades de computação e a cerca de 15GB de memória utilizável. Com o modo boost ativo, o processador opera a 3,5GHz e a GPU atinge os 2,23GHz da especificação oficial do hardware.
Desempenho na prática: perto demais para ignorar

Os testes foram feitos pela Digital Foundry com jogos disponíveis no Steam onde as configurações equivalentes ao PS5 são conhecidas, todos rodando em 1080p nativo devido a uma limitação atual que impede resoluções mais altas sem tela preta.
Em Black Myth: Wukong, o Linux no PS5 entregou 99,9% do desempenho da versão nativa sem o modo boost, com um ganho adicional de 3% ao ativá-lo. Em Crimson Desert, a paridade chegou a 98,9% nas mesmas condições. Em Pragmata, o resultado foi mais irregular: os primeiros momentos rodaram com estabilidade próxima ao PS5, mas o segundo nível apresentou travamentos perceptíveis relacionados ao gerenciamento de memória.
O problema central identificado nos testes é a alocação dinâmica de memória gráfica no Linux, que parece se limitar a cerca de 5,5GB. Jogos nativos para PS5 têm acesso a até 12,5GB de memória utilizável para desenvolvedores, o que explica por que títulos mais exigentes como Avatar: Frontiers of Pandora apresentaram travamentos severos e até crashes.

Testes com ray tracing usando Control Ultimate Edition mostraram que rodar o jogo a 1080p com configurações próximas às do console é viável, e os números sugerem que um modo 1080p60 com ray tracing seria possível no hardware, algo que a Remedy nunca ofereceu oficialmente no PS5.
A limitação de firmware torna o projeto inacessível para a maioria dos donos de PS5, já que consoles na versão 4.5 são raros e não há forma de fazer downgrade. Ainda assim, o experimento é tecnicamente notável e oferece uma das visões mais detalhadas já registradas sobre o desempenho real do hardware da Sony fora de seu ambiente nativo.


