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Hackers invadem o sistema da Vale e divulgam documentos confidenciais sobre como a empresa lida com os acidentes ambientais

Nesta quarta-feira (30) o site TechMundo publicou uma longa reportagem com supostos documentos confidenciais da mineradora brasileira Vale do Rio Doce, que foram vazadas por hackers.

Segundo a fonte anônima que disponibilizou os mais de 40 mil arquivos, os hackers se aproveitaram de uma falha no Microsoft SharePoint para obter os arquivos que relatam incidentes de segurança que ocorreram entre 2017 e 2019 em diversos países onde a Vale atua, como Brasil, Canadá, Moçambique e Indonésia.

Embora os hackers não tenham detalhado exatamente as falhas de segurança utilizadas para invadir a empresa, em uma carta enviada ao TechMundo eles relatam que a motivação para a invasão foi principalmente a impunidade em relação a empresa, que no desastre de Mariana e agora em Brumadinho apenas pagará uma multa.

“Eu e você todos temos um preço nessa tabela, é questão de tempo para sermos os próximos, assim que isso for rentável. Não iremos ficar quietos, lutaremos contra a estupidez com a informação. Quanto vale a vida? A vida vale mais do que a vale.”

Sobre o conteúdo dos arquivos, as atas de acidentes são divididas em quatro categorias: Acidente Pessoal, Acidente Material, Acidente Ambiental e Quase Acidente. Também existem classificações para a gravidade do acidente que podem ser Leve, Moderado, gravem Crítico e Catastrófico.

Entre os documentos que chamam mais a atenção está a de um assalto a mão armada que não houve registro de ocorrência policial.

Outro arquivo, relata um incidente que ocorreu no dia 5 de janeiro desse ano no Mato Grosso do Sul, que embora não tenha tido nenhuma consequência real, tinha potencial de ser Catastrófico.

Mais um relatório que data de março de 2018 descreve um vazamento de 500 litros de óleo no Rio de Janeiro, que teve impacto Crítico ao Meio Ambiente, mas também poderia ter sido Catastrófico.

Na última sexta-feira (25) uma barragem de rejeitos da Vale se rompeu na região da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG). A lama acumulada na barragem destruiu varias casas e parte das instalações dos funcionários da empresa, até o momento foram registrado 84 mortos e 276 pessoas ainda estão desaparecidas.

Crédito da imagem de capa: Adriano Machado/Reuters

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