Watch Dogs: Legion – Review

Watch Dogs: Legion é a nova empreitada da Ubisoft no mundo dos hackers, e será que este novo game vale a pena? É o que vamos descobrir no review de hoje.

Em Watch Dogs: Legion, você se encontra em Londres dos dias atuais. Após um atentado terrorista em que o grupo DedSec leva a culpa, é instaurado um regime tecnológico-fascista na cidade, onde uma polícia privada atira primeiro e pergunta depois. Para piorar as coisas, o grupo do DedSec é praticamente exterminado por uma organização rival, e agora cabe a você fazer este grupo renascer das cinzas e então libertar sua cidade natal da tirania.

Em comparação com outros jogos da franquia, o enredo de Watch Dogs: Legion é bem mais sério do que o dos outros dois games da franquia. Aliás, por falar neles, além do grupo DedSec, você encontra poucas referências a estes jogos, exceto pela possibilidade de usar Aiden Pierce como um dos seus operadores.

Por falar em Operadores, esta é uma das grandes distinções deste jogo aos outros da franquia. Ao invés de controlar um personagem principal, um hacker todo poderoso, você basicamente controla quem você quiser para executar as missões. A ideia do jogo é dar variabilidade ao gameplay, com você contratando guardas de trânsito, enfermeiras, peões de obra e assim por diante. É meio estranho imaginar que uma senhora com 85 anos conseguiria hackear um computador (ou até desbloquear a própria tela do celular) mas, na verdade, quem faz isso não é você e sim Bagley, uma inteligência artificial no melhor estilo do Fantasma de Destiny (ou do Jarvis de Avengers, para sermos mais atuais) que está aí para ajudar você.

As missões de Watch Dogs: Legion são bem interessantes e sempre dão uma série de possibilidades a você. É possível chegar nos lugares atirando para todos os lados, encontrando o computador ou terminal a ser hackeado e terminando a missão assim, ou você também pode usar uma abordagem mais sutil, usando o robô aranha, ou um drone, por exemplo. Além disso, como o jogo dá a possibilidade de você recrutar basicamente quem você quiser, também é possível cooptar soldados do inimigo para passar desapercebido pelas defesas deles, fazer o que você tem que fazer e então ir embora.

Um exemplo disso é um dos objetivos do jogo: libertar Londres da tirania da Albion, o grupo militar que tomou conta da cidade.. Para isso, você tem que fazer uma série de mini missões como tirar a propaganda deles de certos lugares, até que a região da cidade em que você se encontre esteja no estado de “desafiador da ordem e da lei”. Um destes lugares é o Palácio de Buckingham. É possível tomá-lo entrando, metendo bala em todo mundo e acessando o terminal, mas e se pudéssemos usar um dos soldados do lugar para isso? Pois é exatamente isso que dá para fazer.

Para recrutar alguém no jogo, basta você escanear esta pessoa com o seu celular e então salvá-la como um possível recruta. Depois disso, você precisa conversar com esta pessoa, fazer uma ou duas missões para ela e então ela estará disponível para você. Cada classe de operador tem seus prós e contras. Um dos operadores mais úteis que eu encontrei, por exemplo, foi uma senhora que trabalhava na construção civil, por causa do Drone de Cargas dela. Com ele, é possível subir no Drone, voar até o objetivo e cair direto onde você precisa hackear, evitando assim escaladas, inimigos e assim por diante (a menos que estes inimigos também sejam drones, aí o combate vira aéreo).

Vale ressaltar, entretanto, que nenhum destes operadores está perto de ser o que Aiden ou Marcus eram em Watch Dogs 1 e 2, respectivamente. Você tem armas limitadas e também habilidades de hackear limitadas em relação ao que você encontrava em outros jogos. Isso limita um pouco o que você pode fazer, como por exemplo desligar ou ligar semáforos e causar uma série de acidentes, ou explodir os cintos dos inimigos, mas o combate ficou bem mais fácil também, na maioria das vezes, um ou dois tiros na cabeça dos inimigos resolve o problema, e os drones que o jogo usa não são tão complicados de serem derrotados (ou até mesmo tomados para você).

As missões de Watch Dogs: Legion em sua maioria envolvem enfrentar sociopatas que usam a tecnologia para oprimir a população. Alguns dos arcos do jogo realmente parecem até saídos direto dos roteiristas de Black Mirror, ou seja “a tecnologia é boba e feia e está sendo usada para dominar a forma como você pensa, deveria pensar ou vai pensar”. É um tanto simplista e só os hackers são do bem? É, mas dificilmente encontraríamos alguma discussão ou crítica realmente aprofundada, a ideia do jogo é oferecer diversão mesmo.

Como forma de progresso, você pode encontrar pontos de Tech espalhados pelo mapa, e então usá-los para melhorar as habilidades de Bagley de tomar máquinas de inimigos, ou liberar novas armas para os seus operadores. Estes pontos estão espalhados em abundância no mapa, e são fundamentais para tornar a sua vida mais simples dentro do game.

Além da campanha principal, o jogo também oferece uma série de missões secundárias para personagens que você vai conhecendo dentro do jogo. Estes personagens não são controláveis, mas fazem parte fundamental do enredo do game. No fim das contas, Watch Dogs: Legion é um jogo que oferece algo entre 30 e 40 horas de diversão, ou seja, está longe de ser aqueles jogos imensos que a Ubisoft costuma lançar, mas quem precisa de mais um sandbox de 80 horas, afinal de contas, né?

Em nenhum momento o jogo chega a cansar ou tornar-se excessivamente frustrante, ainda que uma parte do jogo realmente me deixou de cara, onde eu tinha que recomeçar uma missão do começo toda vez que um dos meus operadores era abatido (e isto aconteceu umas duas ou três vezes).

Aliás, caso um Operador do seu time seja derrotado, você precisa escolher outro para jogar, mas o soldado que, ou foi preso, ou incapacitado, fica disponível novamente depois de um certo período de tempo. Caso você fique sem Operadores para controlar, você leva um Game Over de Watch Dogs: Legion na cara. Mas, ainda assim, é bem simples recrutar novos soldados ou apenas esperar que os outros sejam libertados.

Antes de encerrar o review, vale ressaltar também que Watch Dogs: Legion tem um bug que parece “esquecer” de carregar os dados quando você troca de área ou de operador. Ele aconteceu umas 3 ou 4 vezes, e foi necessário reiniciar o jogo em todas estas vezes. É possível que este bug seja arrumado antes do lançamento do jogo, ou posteriormente, mas precisamos falar nele já que foi esta a versão que jogamos.

Graficamente, Watch Dogs: Legion é um jogo bonito. Apesar de Londres não ser tão grande assim a cidade tem todo o seu charme recriado de maneira competente, juntamente com seus pontos turísticos. O jogo não vai concorrer a nenhum prêmio de game mais bonito do ano, mas felizmente ele roda bem e não sofreu de nenhum engasgo de performance dentro do Xbox One X.

A trilha sonora de Watch Dogs: Legion também é competente, e o jogo conta com uma série de opções de acessibilidade que, esperamos, tornem-se o padrão nos jogos da Ubisoft daqui pra frente. Como de costume, também, é possível jogar num idioma e escolher as legendas de outro, e a minha recomendação é jogar em inglês com legendas em português, e aproveitar todo o charme do inglês britânico.

Mas e aí, Watch Dogs: Legion vale a pena?

Watch Dogs: Legion é um jogo bastante competente e mais um passo para mostrar que a franquia é muito mais do que um clone de GTA com hackers. O jogo consegue combinar um enredo sério com um gameplay que não cai na mesmice e está sempre oferecendo desafios com diferentes abordagens, o que é muito positivo. O sistema de Operadores adiciona uma profundidade interessante ao jogo, mas exatamente por nenhum personagem ser um super hacker, algumas habilidades dos outros jogos acabaram perdidas. No fim das contas, a impressão que fica é bastante positiva, ou seja, Watch Dogs: Legion, sim, vale a pena.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X fornecida pela Ubisoft do Brasil.

Resumo para os preguiçosos

Watch Dogs: Legion é um jogo bastante competente e mais um passo para mostrar que a franquia é muito mais do que um clone de GTA com hackers. O jogo consegue combinar um enredo sério com um gameplay que não cai na mesmice e está sempre oferecendo desafios com diferentes abordagens, o que é muito positivo. O sistema de Operadores adiciona uma profundidade interessante ao jogo, mas exatamente por nenhum personagem ser um super hacker, algumas habilidades dos outros jogos acabaram perdidas. No fim das contas, a impressão que fica é bastante positiva, ou seja, Watch Dogs: Legion, sim, vale a pena.

Nota final

80
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • História interessante
  • O sistema de recrutamento e operadores foi bem trabalhado
  • Missões variadas e divertidas

Contras

  • Alguns bugs travam o jogo e é necessário reiniciá-lo
  • Apesar do sistema de operadores ser interessante, faltou um um personagem principal mais carismático
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.