South of Midnight é o mais novo jogo desenvolvido pelo Xbox Game Studios e que traz uma proposta bem diferentona para tentar chamar a atenção. Mas será que o jogo vale a pena?
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Em South of Midnight, você assume o papel de Hazel, uma jovem cuja cidade natal, Prospero, foi devastada por um furacão. Ao ser transportada para um mundo onde realidade e fantasia se entrelaçam, Hazel descobre que é uma Tecelã, uma mendedora mágica de laços e espíritos.
A história do jogo é interessante por trazer um folclore que a gente raramente vê dentro de jogos de videogames, apresentando mais sobre o Sul dos EUA, seu povo e as histórias que os mais velhos costumam contar para as crianças nesse lugar.
South of Midnight faz um bom trabalho em relacionar essas histórias e os seus personagens e apresentar a jornada de Hazel, mas infelizmente a protagonista do game tem um sério problema dos jogos modernos: ela não cala a boca um segundo.
Tem momentos em que dá vontade de desligar a cabeça do jogo pois ela não consegue ficar um minuto sem parar de falar, e isso acaba incomodando demais conforme você avança no game, mas execto por esse ponto que, sim, estraga um pouco da magia da história do game, ele possui uma boa história.
Com esses novos poderes descobertos no começo do jogo, Hazel embarca em uma jornada para resgatar a mãe dela, que desapareceu durante a catástrofe e também restaurar a cidade, enfrentando criaturas míticas do folclore do Sul dos Estados Unidos e desvendando os traumas que as consomem.
Para isso, você tem algumas habilidades que envolvem os poderes de tecelã de Hazel, onde ela pode fazer ecos de itens que já existiram aparecerem num lugar, usar pulos duplos, correr em paredes, usar as ferramentas dela para pular de um lugar para o outro além de planar no ar. O jogo tem diversos momentos em que você enfrenta desafios de plataforma ou de escalada para avançar, enquanto você pode usar uma habilidade para saber exatamente qual o seu caminho até o próximo objetivo.
Ainda assim, vale a pena explorar bem os arredores, já que é possível encontrar mais da moeda ou pontos de experiência que Hazel obtém para desbloquear upgrades para as suas habilidades de combate e assim facilitar a sua vida no enfrentamento a monstros.
Os segmentos de plataforma, exploração e escalada de South of Midnight têm seus altos e baixos, assim como o resto do jogo. Há momentos em que você tem que andar por aí e escalar só porque sim e que parecem até feitos só para fazer o jogo durar mais. Já outros momentos em que o jogo usa essa parte em específico para ir desenvolvendo as histórias dos personagens da narrativa e seus problemas.
Esses segmentos de plataforma e de escalada na maioria das vezes possuem apenas um caminho, e os puzzles deles costumam ser super simples também. Não há quase nenhum momento em que você precise pensar muito, é mais seguir o fluxo e ir avançando mesmo, sendo que a maior dificuldade destes momentos é brigar um pouco com os controles, já que há momentos em que você erra pela falta de responsividade deles ou porque o gancho em que você deveria usar para a próxima parte acaba saindo do seu campo de visão e Hazel cai em algum buraco e perde vida.
Nesse ponto, aliás, eu gostaria de dedicar um comentário em especial: o jogo tem uma predileção em te fazer perder vida na exploração só para te lembrar que você está jogando um jogo. Seja quando você erra algum pulo mesmo que por 20 centímetros, você cai em buracos infinitos, perde vida e precisa tentar de novo. Além disso, o jogo tem a péssima mania de esconder cogumelos que explodem em locais que servem só para você ter que ficar usando as habilidades da Hazel para explodi-los e para deixar esse momento do jogo menos monótono, mas sinceramente, só torna a exploração pior.
Outro ponto que o jogo usa muito mais do que deveria são as perseguições onde uma “escuridão” fica correndo atrás de você e você tem que chegar o mais rápido o possível em um lugar em específico do mapa. Esses momentos, que eram para serem tensos, parecem completamente vazios, já que nada está realmente perseguindo você e se você fica parado esperando acontecerem, bom, são bem desapontantes também.
O combate de South of Midnight é bastante simples, e segue o modelo “Dark Souls/Elden Ring” que meio que virou padrão na indústria de jogos. Você trava a mira em inimigos, pode desviar de ataques com o botão B e se conseguir fazer isso na hora certa, causa uma explosão que atinge os inimigos que estiverem perto de você.
Além do ataque normal, Hazel possui um ataque carregado e conforme o jogo avança vai desbloqueando algumas habilidades, mas o seu moveset vai ser sempre o mesmo e a quantidade de inimigos é de uns 5 ou 6 durante o jogo todo, exceto pelos chefes.
No geral, os enfrentamentos não possuem lá muito desafio, e eu morri umas duas vezes apenas durante o jogo todo por causa de um inimigo mais desafiador do meio pro fim que tira quase toda a sua vida com apenas um golpe, mas no geral o combate é bem tranquilo mesmo.
Os chefes de South of Midnight são os momentos mais diferentes que o jogo oferece, já que cada um possui sua própria mecânica de enfrentamento, mas que, em todos os casos, são a mesma mecânica repetida em três etapas com um pouquinho mais de dificuldade, o que acaba tornando o final dos confrontos meio repetitivos.
Aqui é importante ressaltar que num deles em específico, eu acabei enfrentando um bug onde eu não conseguia usar o item que era necessário para atingir o chefe e aí deixá-lo aberto para ataques, e eu tive que ficar evitando os ataques dele até o tal item lembrar que ele deveria aparecer para eu prosseguir no combate.
Graficamente, South of Midnight é um jogo com um estilo de arte todo próprio e que tenta combinar isso com stop motion em certos momentos, mas sinceramente, eu achei essa combinação confusa pois não entendi o padrão dela. Se fosse 100% stop motion, seria péssimo pois seria bem estranho entender o timing do jogo, mas eu sinceramente achei que não combinou você andando a 60 quadros por segundo enquanto tem um NPC ao seu lado se mexendo a 15.
A performance do jogo é bastante sólida. Eu testei ele tanto no Xbox Series X quanto no Series S e em nenhum momento encontrei problemas de framerate, engasgos ou travamentos, e em ambos os consoles o jogo se comportou muito bem.
A trilha sonora do jogo é outro ponto que é estranho em South of Midnight. Há momentos em que ela serve como coadjuvante que quase não aparece e momentos em que as músicas tentam fazer parte da história e elas simplesmente não combinam com o que está acontecendo na tela. E pior, há algumas músicas cantadas que tentam contar a história dos personagens que Hazel está tentando ajudar sinceramente não ficaram boas, parece até que foram tiradas direto de um show da Phoebe Buffay de Friends quando ela tenta improvisar alguma música sobre a vida do Ross, por exemplo.
Apesar de não vir dublado em português, South of Midnight conta com legendas, e uma boa localização, já que adapta bem alguns detalhes do folclore sulista dos EUA e também nomes para o nosso idioma.
Mas e aí, South of Midnight vale a pena?
South of Midnight é um jogo com uma história interessante e um estilo de arte cheio de personalidade, mas a parte do jogo em si é bastante comum quando está em seus melhores momentos, e irritante e repetitivo em seus piores, seja no combate, seja na exploração. A protagonista que não para de falar em nenhum momento acaba piorando a experiência também, mas é possível que o jogo encontre sua parcela de fãs, já que ele não chega a ser ruim, mas também está longe de ser algo memorável.
Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox Series X fornecido pela publisher.
Resumo para os preguiçosos
South of Midnight é uma aventura com estilo visual marcante e uma proposta narrativa interessante baseada no folclore do sul dos Estados Unidos. No controle de Hazel, o jogador explora ambientes místicos em busca da mãe desaparecida, usando habilidades de plataforma, resolução de puzzles simples e combates inspirados em Dark Souls. A ambientação e o conceito da protagonista como uma “Tecelã” trazem originalidade, mas a experiência é prejudicada por diálogos excessivos, exploração frustrante e desafios mecânicos repetitivos. Mesmo com bons momentos narrativos e ambientação rica, o design das plataformas e a simplicidade dos confrontos tornam a jornada irregular.
O combate é básico e com poucos inimigos, e os chefes, apesar de mais criativos, caem na repetição de padrões em múltiplas fases. A performance técnica é sólida, com boa estabilidade no Xbox Series X e S, mas aspectos como o uso incoerente de animação em stop motion e trilha sonora mal integrada comprometem a imersão. South of Midnight tem uma boa localização em português (com legendas), mas não traz dublagem. No fim, é um jogo que pode agradar alguns por sua proposta e atmosfera, mas não entrega o impacto esperado e dificilmente será lembrado como um dos grandes títulos do catálogo do Xbox Game Studios.
Prós
- Boa história
- Belo estilo de arte
Contras
- Combate e plataforma mediocres
- Uma protagonista que fala demais e cansa
- Trilha sonora esquisita