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Pokémon: Detetive Pikachu – Crítica

Quando Pokémon: Detetive Pikachu foi revelado pela primeira vez, o filme rapidamente acendeu todos os sinais de alerta possíveis dos fãs mais puristas da série. Além de mexer com uma franquia muito amada por diversas gerações, o longa se propunha a ser uma adaptação live-action do jogo Detective Pikachu para 3DS, e como bem sabemos, o histórico de adaptações de games para o cinema não é nada positivo.

No entanto, ao ver o primeiro trailer a maioria dos fãs foi tomada por um sentimento misto. Enquanto alguns logo de cara estavam apaixonados pelo visual dos monstrinhos, outros tiveram inicialmente uma reação de estranheza, já que esse visual mais realista dos famosos monstrinhos de bolso geralmente ficava restrito a um nicho muito específico do fandom da franquia. Mas o que não se podia negar é que o filme despertava bastante curiosidade e principalmente resgatava um sentimento nostálgico, pois assim como o sonho de ser um Treinador Pokémon, qualquer criança que acompanhava o desenho ou jogava os jogos com certeza já imaginou um mundo onde esses monstrinhos fossem reais.

Após assistir Detetive Pikachu, é fácil dizer que essa é uma das adaptações mais brilhantes da série, que transporta perfeitamente os principais elementos da franquia para o mundo live-action e serve como uma grande homenagem a tudo que Pokémon simboliza.

Mas como essa magica acontece?

Logo de cara o filme já desconstrói toda a ideia do que imaginaríamos de uma adaptação de Pokémon, pois ele não será focado na captura de monstrinhos ou no famoso “Gotta Catch ‘Em All”. Acompanhamos a história de Tim Goodman(Justice Smith), um jovem aparentemente comum que trabalha como corretor de seguros, e assim como muitos desse (e do nosso) mundo já sonhou em ser um treinador Pokémon, mas acabou desistindo disso e seguiu uma vida “normal”.

Mas as coisas começam a mudar quando ele recebe a notícia de que o seu pai, um detetive chamado Harry Goodman, foi dado como morto após um grave e misterioso acidente. Tim então parte para uma cidade chamada Ryme City, em que humanos e Pokémon vivem em perfeita harmonia. Enquanto está recolhendo as coisas na antiga casa do seu pai, ele acaba sendo surpreendido por um Pikachu, que além de conseguir se comunicar normalmente com Tim, afirma ser o parceiro de Harry.

Vale destacar que um dos maiores acertos do longa é em toda a construção de Ryme City. A cidade é simplesmente encantadora e toda a interação entre humanos e Pokémon foi pensada com muitos detalhes. Enquanto um Charmander é o fiel companheiro de um cozinheiro de rua, Squirtles ajudam o Corpo de Bombeiros, um Machamp serve perfeitamente como um guarda de trânsito e Loudreds são a solução perfeita para qualquer balada. Para onde você olhe será possível encontrar algum Pokémon, seja apenas acompanhando uma pessoa, ajudando em um trabalho ou simplesmente voando livremente. E não precisa se preocupar se você conhece só os 151 originais, pois todas as gerações são contempladas.

Além de todos esses monstrinhos circulando entre nós, também temos diversas referências ao próprio universo de Pokémon, como citações a região de Kanto, a Liga Pokémon e até ao popular Card Game, que parece também existir nesse mundo. Em resumo, é apaixonante apenas andar por essa cidade e notar os infinitos detalhes escondidos em cada canto.

Tendo esse plano de fundo irretocável, a história se desenvolve de maneira bem simples, com Tim eventualmente encontrando uma repórter chamada Lucy Stevens (Kathryn Newton), que junto do seu simpático Psyduck partem em uma aventura para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de Harry. Não há qualquer elemento muito complexo ou inovador na trama, e o roteiro basicamente segue um caminho linear, buscando soluções simples que não chegam a ofender o público mais adulto e com certeza serão facilmente entendidas por crianças.

As atuações de Newton e Smith também não chamam muita atenção, mas talvez a falta de química entre dois atrapalhe um pouco o desenvolvimento dessa relação. Em contrapartida, Ryan Reynolds dá um verdadeiro show como Pikachu. Além de conseguir passar os seus trejeitos e o seu time de comédia, todas as piadas funcionam muito bem, e ator acha um equilíbrio perfeito entre um personagem engraçado, mas que também aborda algumas questões um pouco mais pesadas relacionadas a arrependimento e solidão.

Embora a câmera do filme não traga nada de muito diferente, vale destacar como ela não tem medo de fechar no rosto do Pikachu de outros monstrinhos, mostrando como o trabalho de construção de cada pelinho dos personagens foi bem feito. Em relação à trilha sonora, curiosamente não temos nenhum apelo muito grande para o sentimento nostálgico, que fica mais a cargo justamente das referências, que literalmente acontecem desde a cena de abertura, com uma recriação quase idêntica a uma dos momentos mais icônicas do primeiro filme de Pokémon.

No fim, as grandes estrelas do filme realmente são os Pokémon. Cada vez que o roteiro escolhe se focar em um monstrinho específico, mostrando algumas de suas habilidades adaptadas para uma versão realistas ou como ele interage com o nosso mundo, é o momento em que a história brilha. Mais do que uma homenagem para uma das maiores franquias do mundo, Detetive Pikachu é a prova de que Pokémon pode continuar sendo adaptado para outras mídias e ainda continuar nos encantando.

João Victor Albuquerque

Formado em Sistemas de Informação, que no final da faculdade resolveu se meter nesse mundo do jornalismo. Apaixonado por joguinhos, filmes e sempre atrasado com as séries. O segundo Blizzardboy do Critical Hits.

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