MISSING: An Interactive Thriller – Episode One – Review

No meu último review eu falei sobre um jogo, que está mais para um filme interativo, chamado de Her Story – e aconselho que vocês deem uma conferida, caso ainda não o tenha feito – e agora, por razões que vão além da compreensão humana, falarei sobre mais um jogo do gênero, o recém lançado MISSING: An Interactive Thriller – Episode One.

Eu nem havia nascido quando os FMV (Full Motion Video Games ou filmes interativos) chegaram a seu ápice com títulos como Dragon’s Lair. Caso você não saiba como esse tipo de jogo funciona, ele é tipo um predecessor dos jogos point ’n’ click. Como o próprio nome sugere, é um filme onde você interage com o mesmo e, dependendo do jogo, pode influenciar em como a história vai se desenvolver ou só seguir um caminho pré-determinado.

Em MISSING: An Interactive Thriller – Episode One, o estúdio Zandel Media jogo tentou trazer de volta aquele sentimento nostálgico dos FMV e, parcialmente, ele conseguiu fazer isso. O jogo começa com um dos dois personagens principais acordando acorrentado em uma sala no estilo de sala de interrogação de filmes de ação, daí você precisa livrar ele das correntes e assim se dá o primeiro “puzzle” do jogo. As reticências se dão pelo fato de basicamente não haver dificuldade alguma para resolvê-lo, o que não teria problema algum se essa sensação de falta de desafio não se perpetuasse pelo jogo inteiro.

Claro, há alguns puzzles que te fazem coçar a cabeça, mas nada demais, nenhum deles te dá aquela sensação de recompensa que é necessário em jogos que possuem puzzles, ainda mais no caso de MISSING, onde os puzzles são o que movem o jogo. Ah! E o jogo está completamente em inglês, o que, no caso de nós lusófonos, pode aumentar um pouco a dificuldade do jogo, mas não do jeito que se deve.

Após conseguirmos livrar o personagem das correntes e ele sair da sala, há um corte na cena e passamos para outro local onde um detetive chega para investigar um carro abandonado que está com as janelas quebrados, indicando um sequestro do personagem com o qual você estava jogando anteriormente. Eu não sei nem dizer o quão decepcionado fiquei com a “investigação” que é preciso ser feita, é tão óbvia e automática que faz você se perguntar por que não a mantiveram como uma parte da cutscene ao invés de torna-la jogável.

O jogo ainda tem mais uma cena com o personagem que começa acorrentado, onde ele continua tentando sair do prédio onde está preso, fazendo coisas que deixariam o MacGyver orgulhoso e resolvendo puzzles fáceis demais para sequer receber esse nome. E então, o jogo acaba e mostra cenas do próximo capítulo. Sim, em cerca de meia hora, bem menos se você já souber o que fazer, o jogo acaba. Eu sei que o jogo não foi feito por uma produtora consolidada e tudo mais, porém, meia hora de duração não me parece justo para um jogo onde você malmente joga realmente. Além disso, não dá nem tempo de se ter empatia pelos personagens e sentir vontade de comprar o próximo episódio para ver o que acontece.

Mas o jogo tem lá suas qualidades, felizmente os atores do elenco de MISSING não são amadores e são convincentes o bastante nos papéis que interpretam. A direção e produção das filmagens também são impressionantes de um jeito positivo. MISSING também conta com alguns quick time events, os quais em sua maioria novamente não convencem, estão lá só para dar a ilusão de se estar jogando, sendo completamente descartáveis.

Assim, MISSING te dá aquela sensação de potencial desperdiçado. Se os desenvolvedores tivessem dedicado mais tempo em criar puzzles mais elaborados, o jogo poderia brilhar e realmente honrar a fase de ouro de jogos FMV, mas infelizmente não é o que acontece. Achar o equilíbrio entre filme e jogo para jogos assim não é fácil, e não foi dessa vez que eles conseguiram fazer isso. Portanto, caso você seja muito fã de jogos FMV e MISSING entre em promoção um dia desses, acho sim que vale a pena dar uma conferida no jogo, mas, se esse não for teu caso, indico que você gaste seu precioso dinheiro com outros jogos.

O jogo está disponível no Steam, Google Play, iTunes e Kindle Fire por cerca de R$ 9,00.

Resumo para os preguiçosos

MISSING: An Interactive Thriller – Episode One é um jogo que tenta fazer uma homenagem a era de ouro dos jogos FMV, mas, infelizmente, não consegue obter sucesso em seu objetivo. Vale a pena ser comprado caso entre em promoção e você seja fã de filmes interativos, caso contrário, mantenha-se longe. Há jogos gratuitos de escape the room de graça na internet que são bem mais desafiadores.

Nota final

55
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Direção e produção das cutscenes
  • Atuação dos atores
  • Retoma um gênero de jogo que está atualmente em baixa

Contras

  • Puzzles fáceis demais
  • Enredo fraco
  • QTE desnecessários
  • Capítulo curto demais
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